Portal de União
Notification Show More
Aa
  • Início
  • Educação
  • Cidade
  • Esportes
  • Polícia
  • Cultura
Reading: “Bispos de Lula”, os senhores venceram. Mas a que preço?
Share
Aa
Portal de União
Busca
  • Início
  • Educação
  • Cidade
  • Esportes
  • Polícia
  • Cultura
Have an existing account? Sign In
Follow US
© Portal de União | Desenvolvido por: LabJobs
Manchete

“Bispos de Lula”, os senhores venceram. Mas a que preço?

Portal de União
Last updated: 27/10/2026
Portal de União 77 Views
Share
8 Min Read
SHARE

Os “bispos coroinhas de Lula” conseguiram. A poucos dias do segundo turno, publicaram aquela cartinha indecente em que faziam campanha para o petista; ao menos tiveram a decência de, desta vez, botar os nomes (embora um bispo gaúcho tenha denunciado que seu nome foi colocado lá sem seu conhecimento), mas logo na sequência dois deles tiveram a cara de pau de afirmar que não, aquilo não era pedido de voto nem declaração de apoio… O cinismo compensou, não compensou? Lula venceu, vai governar por mais quatro anos. Os senhores comemoram. Mas terá valido a pena?

E não estou falando de como os senhores deverão ser cobrados se (na verdade está mais para quando) vier uma crise econômica decorrente das políticas econômicas suicidas de Lula, trazendo (mais) inflação e o retorno do desemprego, como foi em 2015-16. Não estou falando de como os senhores deverão ser cobrados quando vier mais alguma norma técnica, mais algum decreto, mais algum desses subterfúgios que o petismo usa para ampliar o acesso ao aborto no Brasil sem precisar mudar a lei – um velho argumento com que os apoiadores de Lula tentam apaziguar os que se preocupam com os mais indefesos e inocentes dos seres humanos. Ou quando padres forem denunciados por defender a doutrina moral católica em homilias. Estou falando de outra coisa: da sua desmoralização como pastores de almas.

“Os bispos tomaram partido, e ao fazerem isso deixaram de ser o sinal de união que deveriam ser quando foram escolhidos para pastorear uma parte do povo de Deus”

- Publicidade -

Os senhores tomaram partido, e ao fazerem isso deixaram de ser o sinal de união que deveriam ser quando foram escolhidos para pastorear uma parte do povo de Deus. Pouco me importa se essa história de o termo “partido” remeter a divisão é correto ou se é etimologia inventada; o que os senhores fizeram com aquela carta – que declarava apoio e pedia voto sim, por mais que os senhores digam o contrário – foi justamente isso: trazer a divisão para dentro de suas dioceses. Como disse dom Antônio Carlos Rossi Keller, bispo de Frederico Westphalen (RS), em sua primeira nota pastoral sobre as eleições, ainda em agosto, “o ministro ordenado é pai espiritual de todos os fiéis, independentemente de suas legítimas opções políticas, e sua missão consiste em anunciar integralmente o Evangelho, formar as consciências segundo a Doutrina da Igreja e promover a unidade do Povo de Deus”.

Os senhores haverão de responder que era isso mesmo o que estavam fazendo, formar consciências. Não, não era. Primeiro, porque, insisto, a carta era um apoio descarado a um candidato – e, como disse dom Keller em uma segunda nota pastoral, “um documento assinado por bispos que, sem nomear a ninguém, permite ao leitor identificar com segurança um candidato e concluir por sua rejeição, já não opera no terreno dos princípios. Opera no terreno das opções contingentes”. Segundo, porque os senhores torturaram e retalharam a doutrina moral e a Doutrina Social da Igreja, aproveitando apenas o que lhes servia para promover seu candidato, e deixando de lado aquilo que o comprometia. Continuo citando dom Keller:

“A carta [dos bispos apoiadores de Lula] invoca essa doutrina [a Doutrina Social da Igreja] em matéria de trabalho, de armas, de meio ambiente e de soberania. É legítimo fazê-lo. Mas o silêncio também ensina, neste caso um silêncio gritante. E o que se calou é justamente aquilo que o Magistério qualifica como fundamento, e não como apêndice. Nada se diz sobre a vida humana inocente desde a concepção – o primeiro dos direitos, sem o qual todos os demais são retóricos. Nada se diz sobre a ideologia de gênero apresentada como projeto pedagógico, nem sobre a concepção cristã de casamento e de família, nem sobre o direito dos pais à educação dos filhos. Nada se diz sobre a propriedade privada e sua função social, sobre a subsidiariedade, sobre a legítima autonomia das realidades temporais, sobre a liberdade de iniciativa econômica e sobre os riscos do centralismo estatal. Nada se diz sobre a liberdade religiosa e sobre o direito de crer e de viver publicamente segundo a própria fé. São exatamente esses os pontos que a Igreja chama de não negociáveis na avaliação de um programa político. São exatamente esses os pontos que a carta omitiu.”

E, de forma muito sórdida, os senhores ainda tentaram fazer sua opinião particular sobre um candidato passar como se fosse uma posição de todo o episcopado nacional, usando no início a expressão “em comunhão com a CNBB, alinhados com a Mensagem do Conselho Permanente ao Povo Brasileiro” – mensagem essa que nem de longe tomava partido em relação a candidato algum, limitando-se a pedir que os católicos examinassem com discernimento a vida e as propostas dos candidatos. Sua desfaçatez foi tanta que a CNBB se viu na necessidade de vir a público desautorizar o uso do nome da entidade e afirmar que não tinha relação alguma com a campanha eleitoral feita pelos senhores.

Continuem esperando da minha parte o respeito que devo a qualquer sucessor dos Apóstolos; a dignidade que vem da unção recebida no dia de sua ordenação não se reduz em um milímetro sequer. Mas suas ações nesta eleição desonram a batina que os senhores vestem (se é que já não a substituíram por um traje civil qualquer), porque os senhores trocaram sua missão de unir e apascentar o rebanho pela militância partidária que é por essência divisiva. E, aos que se consideram verdadeiros profetas do século 21, deixo para reflexão a advertência feita por um profeta de verdade: “‘Ai dos pastores que perdem e que despedaçam o rebanho da minha pastagem!’, diz o Senhor. Portanto, eis o que diz o Senhor Deus de Israel aos pastores que apascentam o meu povo: ‘Vós dispersastes as minhas ovelhas e as afugentastes, e não as visitastes; eis que vos visitarei para castigar a malícia dos vossos desígnios’, diz o Senhor” (Jeremias 23,1-2).

GAZETA DO POVO

Curtir isso:

Curtir Carregando...

Relacionado

Portal de União 27/10/2026 27/10/2026
Share this Article
Facebook Twitter Whatsapp Whatsapp Copy Link Print
Previous Article Pescador denuncia impactos ambientais de atividades do Porto Piauí
Leave a comment Leave a comment

Deixe uma respostaCancelar resposta

Portal de União

© Portal de União | Desenvolvido por: LabJobs

adbanner
AdBlock Detectado
Nosso site é um site com suporte de publicidade. Por favor, coloque na lista de permissões para apoiar nosso site.
Okay, I'll Whitelist
Bem vindo!

Entre no painel administrativo

Lost your password?
%d