Diretoria do sindicato constatou desgaste precoce da estrutura reformada, filas com mães dormindo na calçada e descontinuidade no acompanhamento de crianças recém-operadas em Teresina.
Teresina (PI) — O Sindicato dos Médicos do Estado do Piauí (SIMEPI) realizou, nesta sexta-feira (4), uma vistoria no Hospital Infantil Lucídio Portella (HILP), unidade de referência pediátrica na capital piauiense. Apesar de ter passado recentemente por obras de reforma, o hospital já apresenta sinais visíveis de deterioração e carência crônica de infraestrutura e pessoal especializado.
Desgaste estrutural e risco sanitário
Durante a inspeção, a comitiva sindical registrou paredes descascadas, infiltrações no teto e cantoneiras danificadas, além de mobiliário hospitalar em estado precário. Em várias alas, poltronas de acompanhantes e colchões de leitos estavam rasgados — expondo a espuma sem o revestimento impermeável de napa —, o que impede a correta higienização e eleva o risco de contaminação biológica.
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A diretoria do sindicato alertou que, sem um plano contínuo de manutenção predial e reposição de equipamentos, a unidade voltará rapidamente ao quadro de degradação anterior à reforma.
Filas na calçada e déficit de especialistas
Outro ponto crítico verificado foi o gargalo na marcação de consultas com médicos especialistas, com destaque para a neuropediatria, nefrologia e urologia pediátrica.
Representantes relataram que mães chegam a passar noites inteiras na calçada — comparecendo já no dia 19 para a abertura de agendamentos no dia 20 — sem garantia de conseguir ficha. Acompanhantes ouvidos no local confirmaram que muitas famílias vindas do interior do estado retornam para seus municípios sem atendimento, dependendo de encaixes e da sensibilidade pontual do corpo clínico para conseguir avaliação médica.
Diante do cenário de demanda reprimida, o sindicato cobrou do Governo do Estado o aumento imediato de vagas e a realização de concurso público para preenchimento de postos em todas as áreas da saúde.
Crianças operadas enviadas para o “final da fila”
A fiscalização identificou ainda uma falha de gestão no fluxo de retorno ambulatorial: pacientes que já passaram por procedimentos cirúrgicos perderam a prioridade para o acompanhamento pós-operatório. Segundo relatos colhidos de cirurgiões pediatras, essas crianças estão sendo reinseridas no agendamento regular como se fossem casos de primeira consulta.
A prática compromete o seguimento pós-cirúrgico e eleva a vulnerabilidade dos pacientes a intercorrências não monitoradas. “As crianças operadas que voltam para as cidades não podem ir para o fim da fila; elas estão em seguimento. Isso é gestão”, enfatizou a representação do sindicato.
O SIMEPI reiterou que seguirá cobrando das autoridades providências estruturais, administrativas e de recomposição do quadro profissional para garantir a dignidade no atendimento aos pacientes e melhores condições de trabalho aos profissionais de saúde.
SIMEPI

