O diretor-adjunto de uma creche na Vila João Reis, em Timon-Ma, identificado como Alberto Luiz, de 49 anos, está preso preventivamente suspeito do crime estupro de vulnerável contra crianças de dois e três anos, alunos da instituição de ensino. De acordo com a delegada da mulher no município, Lorena Alves, a Polícia Civil tomou conhecimento dos crimes após denúncia de familiares de uma menina, apontada como a primeira vítima.
A Prefeitura de Timon exonerou o diretor adjunto e afastou todo o corpo de direção da unidade até o final das investigações e decretou a intervenção imediata na referida creche. (Veja nota ao final de reportagem)
Segundo a delegada, o exame realizado confirmou que a menina foi abusada sexualmente. Ela contou aos pais que estava sentindo dor na região íntima. Após a denúncia, as investigações foram iniciadas, e apontam que por ter conhecimento das crianças que verbalizam, o diretor escolhia as vítimas, a maioria sendo meninos.
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“Verificamos que a criança narrava uma situação de suposto abuso. Embora as crianças tenham entre dois e três anos, muitas não falam. Elas têm autismo e algumas possuem laudo. O investigado cuidava desses laudos e, aparentemente, escolhia as vítimas de acordo com eles. Então, ele escolhia vítimas que não falavam”, relatou a delegada.
O Cidadeverde.com procurou defesa do suspeito, mas até o momento não identificou. O espaço segue aberto para quaisquer esclarecimentos.
A conduta do suspeito consistia em tirar as crianças da sala de aula durante o horário de aula. A creche é de tempo integral, onde as crianças tomam banho e se alimentam. Ele retirava as crianças da responsabilidade das professoras e as levava para um determinado depósito na sala da diretoria, sendo o único local da escola que não possui câmera.
“Esse depósito sempre foi monitorado por câmeras, mas, quando ele chegava lá, o primeiro ato era retirar a câmera do local. Há uma testemunha direta, uma pessoa extremamente corajosa, que chegou a interpelá-lo e tentou impedir algumas situações. Mas ele dava ordens, já que era superior hierárquico, e se trancava no local”, contou a delegada.
Vídeos do circuito interno de segurança da creche mostram o suspeito levando as crianças para o depósito. O diretor chega a ficar cerca de quatro minutos com as crianças, ao sair ele dar um presente para cada uma das crianças. De acordo com a delegada, o suspeito sempre agia da mesma forma.
Foto: Eduardo Costa/Cidadeverde.com

“Vimos nas imagens que ele pegava as crianças, levava para o depósito e permanecia poucos minutos. Não sabemos exatamente quais atos ele praticava com algumas crianças. As ações aparentam ser premeditadas, mas não sabemos há quanto tempo isso ocorria, nem quantas crianças podem ter sido vítimas. Como muitas não verbalizam, é difícil detectar violência física. Mesmo com as professoras desconfiadas, não dá para prever há quanto tempo ele agia”, relatou.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, o depósito não tinha nada que justificasse a permanência das crianças no local. No momento da prisão, o suspeito ficou em silêncio. Até o momento, três vítimas foram identificadas.
“Nas imagens, é possível perceber que as crianças já entravam como se soubessem para onde estavam indo. Ele é muito tranquilo e frio. Normalmente, pessoas com perfil de pedofilia apresentam esse comportamento. Outras famílias estão procurando a delegacia para saber se seus filhos podem estar entre as vítimas”, ressaltou Lorena Alves.
População Revoltada
Na tarde desta quarta-feira (27), a população tentou invadir a creche. A motocicleta do suspeito, ao ser identificada, foi depredada. Revoltados, os manifestantes também tentaram atear fogo no veículo, mas foram contidos pela Guarda Civil Municipal.
“Sim. Quando cheguei aqui com a guarnição, nós intervimos para impedir o ateamento de fogo no veículo do diretor. Houve essa tentativa, mas conseguimos conter a situação. Depois, o veículo foi levado para o pátio do Ciretran. Nós estamos aqui para garantir a segurança das crianças até que todas sejam entregues aos responsáveis e também para dar apoio à equipe pedagógica da creche”, informou o guarda municipal Ronielli.
Foto: Eduardo Costa/Cidadeverde.com

Famílias abaladas
Uma mulher de 43 anos, que preferiu não se identificar, contou com o sentimento de revolta e desespero, o momento em que foi buscar as duas netas que estudam na creche.
“Quando vim buscar minhas duas netas, uma delas, na hora em que me viu, veio correndo. O sentimento é de revolta, não só para mim, como avó, mas para todas as mães e familiares das outras crianças daqui. Isso é um caso muito sério, seríssimo. Eu jamais esperava que algo assim pudesse acontecer aqui. Como eles não querem mostrar as filmagens, a gente fica sem saber quais foram as crianças envolvidas. Aí fica essa angústia. Agora vou registrar o boletim de ocorrência”, relatou.
Dados alarmantes
De janeiro até maio deste ano, de acordo com a Polícia Civil, foram registrados 39 boletins de ocorrência por estupro de vulnerável em Timon envolvendo vítimas do sexo feminino. Os casos envolvendo meninos não chegam à Delegacia da Mulher, porque a atribuição é dos distritos policiais.
“Esse número possivelmente é ainda maior, já que cada distrito pode ter registros de estupro de vulnerável contra meninos”, afirmou a delegada Lorena Alves.
O município não possui uma delegacia específica de proteção à criança e ao adolescente.
Nota da Prefeitura de Timon
A Prefeitura Municipal de Timon, por meio da Secretaria Municipal de Educação (SEMED), informa que já efetuou a exoneração do ex-diretor adjunto da creche da Vila João Reis, que se encontra preso.
Além disso, foi determinado o afastamento de todo o corpo de direção da unidade até o final das investigações e decretada a intervenção imediata na referida creche.
Reforçamos que a Prefeitura está prestando todo o apoio psicossocial necessário às famílias e permanece à total disposição das autoridades de segurança para a urgente elucidação do caso.
Estupro de vulnerável
O Código Penal brasileiro, no artigo 217-A, criminaliza o estupro de vulnerável, definido como qualquer ato sexual ou libidinoso praticado com pessoa menor de 14 anos — incluindo toques, carícias e outros atos de natureza sexual —, independentemente de consentimento. A lei considera que crianças e adolescentes nessa faixa etária são absolutamente incapazes de consentir. O crime é classificado como hediondo, o que proíbe fiança e exige cumprimento inicial em regime fechado. A pena é ainda maior quando o agressor é familiar ou tem autoridade sobre a vítima. O ECA complementa a legislação com mecanismos de proteção e atendimento às crianças e adolescentes vítimas.

