Fazenda Nacional aponta Jadyel como controlador de grupo econômico irregular com ao menos 13 processos de execução fiscal
O deputado federal pelo Piauí, Jadyel Silva Alencar (Republicanos), proprietário da Dimensão Distribuidora de Medicamentos Ltda, é apontado pela Fazenda Nacional como principal controlador de um grupo econômico irregular que acumula milhões em dividas. Segundo dados apurados pelo Portal AZ junto a lista de devedores da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), o deputado por meio da sua empresa Dimensão, deve mais de R$ 122 milhões em dívidas com a União.
Outros dados que constam de petição inicial de Incidente de Desconsideração de Personalidade Jurídica protocolada em 25 de março de 2026 na 4ª Vara Federal de Execução Fiscal da Seção Judiciária do Piauí, aponta o deputado como um devedor contumaz.
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O documento, assinado por procuradores da Fazenda Nacional, classifica o parlamentar como integrante da lista de “Grandes Devedores da União” e descreve um esquema complexo de fraude tributária, blindagem patrimonial e uso de interpostas pessoas, popularmente chamadas de laranjas, para desviar responsabilidades sobre os débitos fiscais inscritos em dívida ativa.
R$ 122 milhões em dívida ativa
Segundo a relação de inscrições em dívida ativa consultada pela reportagem e apresentada como prova no processo, a Dimensão Distribuidora de Medicamentos Ltda, sediada em Teresina, acumula um passivo total de R$ 122.104.566,08. O valor está distribuído em quatro categorias: dívidas com estados e Distrito Federal (R$ 76.720.287,32), tributário de demais débitos (R$ 43.911.222,63), tributário previdenciário (R$ 1.408.414,54) e multa trabalhista (R$ 64.641,59).
13 processos de execução fiscal na 4ª Vara
Só na 4ª Vara Federal de Execução Fiscal de Teresina, uma petição relaciona 13 processos com débitos atualizados que somam R$ 44.189.105,09. O maior deles, registra um débito de R$ 17.058.306,15. Outros dois processos também acumulam valores superiores a R$ 1 milhão cada.
Grupo econômico irregular e laranjas
A petição da Fazenda Nacional descreve a existência de um “Grupo Econômico de Fato Irregular” formado pela Dimensão Distribuidora e diversas outras empresas que, segundo o documento, são utilizadas para a prática de fraudes tributárias, blindagem patrimonial e enriquecimento ilícito de Jadyel Silva Alencar e pessoas próximas a ele.
O esquema, conforme narrado pelos procuradores, conta com a participação de Taciane Costa Esteves Torres, ex-esposa de Jadyel, e de pelo menos dois laranjas identificados como Gustavo Mendes Lemos de Oliveira e Guilherme Luis Figueiredo dos Santos, ambos ex-empregados formais das empresas do grupo. Segundo a investigação fiscal, esses dois indivíduos figuram formalmente como sócios-administradores em empresas de fachada mas atuam, na prática, como operadores financeiros sob as ordens de Jadyel.
Segundo o documento, ”as empresas ligadas à DIMENSÃO DISTRIBUIDORA, além da própria, estão sendo utilizadas para a prática de fraudes tributárias, blindagem patrimonial e para enriquecimento ilícito de JADYEL SILVA ALENCAR e pessoas próximas a ele.”
A petição detalha que empresas como GM Assessoria Financeira Ltda e FS Participações Ltda foram abertas em 2025 em nome dos laranjas identificados e não desempenham nenhuma atividade comercial real. Elas não possuem empregados e nunca emitiram notas fiscais, servindo exclusivamente para concentrar ativos e blindar o patrimônio do grupo investigado.
Movimentações milionárias e divórcio como fator de fuga
A investigação fiscal identificou que as movimentações bancárias dos laranjas saltaram repentinamente para o nível de milhões de reais em 2023 e 2024, sem qualquer justificativa plausível. Os procuradores apontam que parte dessa manobra pode estar relacionada ao processo de divórcio litigioso enfrentado por Jadyel, no qual sua ex-esposa Taciane Torres ajuizou ação no TJPI pleiteando a partilha de bens. A hipótese investigada é que Jadyel teria passado a blindar seu patrimônio movimentando recursos por contas bancárias de terceiros justamente para dificultar a partilha e a cobrança fiscal.
A revista Veja chegou a publicar reportagem citando expressamente o nome de Gustavo Mendes como laranja que operava movimentações financeiras em nome de deputado federal, fato que também é referenciado pela Fazenda Nacional como elemento corroborador da investigação.
Fonte: Portal AZ

