A Secretaria Estadual de Saúde confirmou na tarde desta quarta-feira (29) que o paciente de 17 anos, da cidade de Oeiras, morreu vítima de raiva humana. É o primeiro caso deste ano. O Piauí não registrou nenhum caso de raiva em 2025. Último caso foi em 2024, um paciente de Piripiri.
Diante da confirmação, a Secretaria Municipal de Saúde de Oeiras informou que intensificou as ações de vigilância e controle no município. Em nota, o órgão destacou que equipes estão sendo capacitadas, em parceria com o Centro de Inteligência em Agravos Tropicais (CIATEN), além da realização de busca ativa e monitoramento em comunidades rurais.
Segundo a secretaria, também foram reforçadas ações educativas para alertar a população sobre os riscos do contato com animais silvestres, como saguis e morcegos, além da importância da vacinação de animais domésticos. Veja nota na íntegra ao fim da reportagem.
- Publicidade -
O adolescente apresentou sintomas como desorientação, vômitos e febre, após histórico de mordida por um sagui cerca de 40 dias antes do início do quadro clínico. Os exames foram realizados no Instituto Pasteur, no Rio de Janeiro.
A vítima morava em Oeiras, a 260 km de Teresina, e inicialmente foi atendido na UPA da cidade com quadro grave. Ele foi transferido para o Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella e morreu no dia 17 deste mês.
Veja nota da Sesapi:
A Secretaria de Estado da Saúde do Piauí (Sesapi) informa que, após a realização de exames, seguindo medidas de saúde pública, foi confirmado o caso de raiva humana em um paciente de 17 anos, residente na zona rural de Oeiras, que veio a óbito no dia 17 de abril, em Teresina, no Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella.
O paciente apresentou sintomas como desorientação, vômitos e febre, após histórico de mordida por um sagui cerca de 40 dias antes do início do quadro clínico.
Os exames foram realizados no Instituto Pasteur, no Rio de Janeiro.
A Secretaria destaca que adotou as medidas necessárias de vigilância e controle junto ao município.
A Sesapi alerta a população para os cuidados necessários em casos de acidentes com mordidas de animais. Entre as medidas recomendadas pelo Ministério da Saúde estão: lavar imediatamente o ferimento com água corrente e sabão; procurar atendimento de saúde o mais rápido possível para avaliação e indicação de profilaxia; não tentar capturar o animal agressor; e manter a vacinação de cães e gatos em dia.
Raiva Humana – quase 100% fatal
De acordo com o Ministério da Saúde, a raiva é uma doença grave causada pelo vírus do gênero Lyssavirus, da família Rhabdoviridae, que afeta mamíferos, incluindo pessoas. Ela provoca inflamação no cérebro e, se não for tratada a tempo, quase sempre leva à morte.
Importante: A raiva é de extrema importância para saúde pública, devido a sua letalidade de aproximadamente 100%, por ser uma doença passível de eliminação no seu ciclo urbano (transmitido por cão e gato) e pela existência de medidas eficientes de prevenção, como a vacinação humana e animal, a disponibilização de soro antirrábico humano, a realização de bloqueios de foco, entre outras.
Transmissão
A raiva é transmitida ao homem pela saliva de animais infectados, principalmente por meio da mordedura, podendo ser transmitida também pela arranhadura e/ou lambedura desses animais. O período de incubação é variável entre as espécies, desde dias até anos, com uma média de 45 dias no ser humano, podendo ser mais curto em crianças. O período de incubação está relacionado à localização, extensão e profundidade da mordedura, arranhadura, lambedura ou tipo de contato com a saliva do animal infectado; da proximidade da porta de entrada com o cérebro e troncos nervosos; concentração de partículas virais inoculadas e cepa viral.
Nos cães e gatos, a eliminação de vírus pela saliva ocorre de 2 a 5 dias antes do aparecimento dos sinais clínicos e persiste durante toda a evolução da doença (período de transmissibilidade). A morte do animal acontece, em média, entre 5 e 7 dias após a apresentação dos sintomas.
Não se sabe ao certo qual o período de transmissibilidade do vírus em animais silvestres. Entretanto, sabe-se que os quirópteros (morcegos) podem albergar o vírus por longo período, sem sintomatologia aparente.
Sintomas
Após o período de incubação, surgem os sinais e sintomas clínicos inespecíficos (pródromos) da raiva, que duram em média de 2 a 10 dias. Nesse período, o paciente apresenta:
- Mal-estar geral
- Anorexia
- Náuseas
- Entorpecimento
- Inquietude
- Pequeno aumento de temperatura
- Dor de cabeça
- Dor de garganta
- Irritabilidade
- Sensação de angústia
- A pessoa pode apresentar inchaço nos gânglios (caroços no pescoço, axila ou virilha), sensibilidade ou dormência ao longo dos nervos perto da mordida, além de mudanças no comportamento.
Veja a nota da Secretaria Municipal de Saúde de Oeiras na íntegra
A Secretaria Municipal de Saúde de Oeiras (SESAM) vem a público informar que, diante da confirmação do primeiro caso de raiva humana na zona rural deste município, está mobilizando todos os seus recursos técnicos e humanos para garantir a segurança e a saúde da nossa população.
Neste momento de profunda consternação, manifestamos nossa total solidariedade e pesar à família do jovem vitimado por esta terrível doença, ocorrida após o contato com um animal silvestre (sagui). Esta perda irreparável impacta profundamente nossa comunidade e reforça a necessidade de vigilância constante.
Como resposta imediata e prioritária, a SESAM comunica as seguintes providências de contingência:
1. CAPACITAÇÃO E RESPOSTA TÉCNICA: Em parceria estratégica com o CIATEN (Centro de Inteligência em Agravos Tropicais, Emergentes e Negligenciados) de Teresina, nossas equipes de Vigilância em Saúde e Atenção Primária serão capacitadas para o manejo rigoroso de casos suspeitos, monitoramento de rastreio e identificação precisa de riscos no território.
2. VIGILÂNCIA DE CAMPO E RASTREIO: Profissionais de saúde estão atuando diretamente nas comunidades rurais, realizando o mapeamento epidemiológico, busca ativa de possíveis contatos e monitoramento das áreas afetadas para conter a circulação do vírus.
3. AÇÕES EDUCATIVAS E MOBILIZAÇÃO: Intensificamos a divulgação de protocolos de segurança em nossas mídias oficiais e em campo, com foco na conscientização sobre o perigo do contato com animais silvestres e a importância da vacinação animal.
ALERTA À POPULAÇÃO:
A raiva é uma doença grave, porém evitável. Reforçamos a orientação vital de que animais silvestres, como saguis (soins) e morcegos, não devem ser alimentados, tocados ou domesticados. Caso ocorra qualquer incidente com animais (mordedura ou arranhadura), o cidadão deve lavar o local imediatamente com água e sabão e procurar a unidade de saúde mais próxima para a aplicação do protocolo de profilaxia pós-exposição.
A Secretaria Municipal de Saúde segue monitorando a situação ininterruptamente em conjunto com os órgãos estaduais e adotará todas as medidas necessárias para preservar a vida e o bem-estar de todos os cidadãos de Oeiras.
Secretaria Municipal de Saúde
Oeiras – PI
Prefeitura Municipal de Oeiras

