Portal de União
Notification Show More
Aa
  • Início
  • Educação
  • Cidade
  • Esportes
  • Polícia
  • Cultura
Reading: Estupro: desmistificando o estuprador (ou tentando)
Share
Aa
Portal de União
Busca
  • Início
  • Educação
  • Cidade
  • Esportes
  • Polícia
  • Cultura
Have an existing account? Sign In
Follow US
© Portal de União | Desenvolvido por: LabJobs
DestaqueGeral

Estupro: desmistificando o estuprador (ou tentando)

Portal de União
Last updated: 02/06/2023
Portal de União 984 Views
Share
14 Min Read
SHARE

O Código Penal Brasileiro entende o crime de estupro como o ato de “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”.

Para o caso que resultar em lesão corporal grave ou se a vítima tiver entre 14 e 18 anos, a pena é de 8 a 12 anos; se resultar em morte, de 12 a 30 anos. Já o estupro de vulnerável ocorre quando um bandido tem conjunção carnal ou pratica outro ato libidinoso com menor de 14 (catorze) anos. A penalidade para este crime é reclusão de 8 a 15 anos.

Contents
O Código Penal Brasileiro entende o crime de estupro como o ato de “constranger alguém, mediante violência ou grave ameaça, a ter conjunção carnal ou a praticar ou permitir que com ele se pratique outro ato libidinoso”.Dados a nível nacionalSituação do PiauíEntenda como prevenir e quais as consequências do estuproO crime de estupro pode ser evitado?Janaína BezerraRegistros de abusos sexuais em TeresinaQuais as consequências dos abusos sexuais?

A mesma pena é conferida a quem pratica esta mesma ação com pessoas que por doença, deficiência mental ou qualquer outra causa não possa resistir contra o crime. Se o caso for de lesão corporal grave, a pena varia de 10 a 20 anos; havendo morte, de 12 a 30 anos.

- Publicidade -

Dados a nível nacional

Segundo os registros policiais entre os anos de 2012 e 2021, 583.156 pessoas foram vítimas de estupro e estupro de vulnerável, no Brasil. Estes dados correspondem somente ao total de vítimas que denunciaram o caso em uma delegacia de polícia e, portanto, a subnotificação é significativa.

Em relação ao perfil, o padrão segue o mesmo: mulheres representam 88,2% das vítimas, sendo a maioria em todas as faixas etárias. Já as vítimas do sexo masculino são, majoritariamente, crianças.

Diferente do que as pessoas imaginam, o crime de estupro pode ser perpetrado por pessoas que fazem parte do convívio diário das vítimas como um parente, colega ou mesmo o parceiro íntimo. Em cada 10 casos, oito são de autoria de algum conhecido. O fato do agressor ser um conhecido torna este crime ainda mais cruel e complexo. Denunciá-lo acaba se tornando um grande desafio para as vítimas.

Situação do Piauí

O Piauí tem apresentado números cada vez mais alarmantes no que diz respeito aos casos de estupro, estupro de vulnerável, violências e homicídios praticados contra mulheres nos últimos anos.

O Anuário Brasileiro de Segurança Pública de 2022, registrou um aumento de 18% no número de registros de ocorrências referentes ao crime de estupro de vulneráveis. Em 2020, foram contabilizados 719 casos e em 2021 esse número aumentou para 848. As ocorrências de violência sexual, principalmente contra crianças e adolescentes ocorrem cada vez mais no âmbito familiar. No ano de 2021 foram registrados 70 casos de abuso sexual contra crianças e adolescentes. O número de casos aumentou no ano de 2022 indo para 96 casos.

Entenda como prevenir e quais as consequências do estupro

Muitas são as dúvidas sobre o assunto e provocam nas vítimas a sensação de culpa e medo, o que faz com que a maioria não denuncie os abusos sofridos e o que acarreta em traumas que afetam a vida das vítimas bem como seus relacionamentos pessoais e interpessoais. A psicóloga Cléa Maria Luccas (CRP: 21/04/04044), que atende em três locais na cidade de Teresina, falou com o Portal RP50 a respeito desse assunto e desmistificou alguns pontos sobre o crime de estupro.

Cléa Luccas

O perfil dos agressores sexuais pode variar e é preciso ficar atento(a). “Geralmente os indivíduos que cometem esse crime podem pertencer a qualquer classe social, a maioria não apresenta comportamento específico para tal, mas com certeza tem planejamento ou premeditam e poucos possuem Transtorno que resultam nestes atos”, disse a psicóloga.

As vítimas do crime de estupro são na maioria mulheres e crianças. A psicóloga destaca que muitas vezes os alvos dos agressores não percebem o perigo e acabam sendo abusadas. “As mulheres e crianças, muitas vezes não conseguem analisar a situação e contexto que estão inseridas que propicie esta violência”, destacou.

O crime de estupro acontece em diversos locais e tem ocorrido com maior frequência na residência das vítimas. Embora o ambiente familiar seja um espaço em que as mulheres e crianças deveriam receber proteção, muitas vezes é nele que ocorre a violação dos direitos e  abusos sexuais. Na maioria dos casos já noticiados pelo Portal RP50 o agressor é alguém próximo das vítimas como um amigo, padrasto, o próprio pai, um tio, o avô etc.

O fato de os agressores serem pessoas próximas às vítimas evidencia a fragilidade da família e acarreta diversos danos físicos e emocionais às vítimas e familiares. Cléa destaca que “nas próprias residências, escolas, trabalho, nas ruas e em hospitais” pode acontecer o crime de estupro e explica que para preveni-lo é preciso que seja realizado um trabalho “com psicoeducação, principalmente nas escolas, segurança pública e leis mais severas podem ajudar a diminuir os casos.”

Além dos abusos cometidos por pessoas próximas, chamam atenção também aqueles que são cometidos por pessoas religiosas como falsos pastores e pais de santo. De acordo com a psicóloga Cléa Luccas, é necessário tomar alguns cuidados acerca desses ambientes para evitar situações de abuso e violência sexual.  “É preciso ficar em alerta aos sinais, o que é solicitado dentro dos templos, não deixar menores de idade sem os responsáveis e principalmente não aceitar certas atitudes.” A psicóloga destaca o fato de que o abuso é realizado de mais de uma maneira, sendo psicológico e físico. “O abuso acontece de uma forma duplicada através do abuso psicológico usando a fé das pessoas que buscar se sentir melhor nos templos e assim conseguir persuadir às vítimas que muitas vezes permanecem em silêncio por medo ou vergonha.”

O crime de estupro pode ser evitado?

A delegada Lucivânia Vidal, titular da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) também falou com a equipe RP50 a respeito do crime de estupro e destacou a importância da vítima realizar a denúncia contra o agressor. “É importante que a vítima registre o boletim de ocorrência para que a justiça consiga punir o agressor e também para que o caso entre nas estatísticas e evitar a impunidade. É importante procurar a delegacia”, disse.

Lucivânia Vidal

De acordo com a delegada, além da denuncia, outro importante em a vítima procurar a delegacia é para que seja feito “o exame pericial que faz parte da investigação e também é importante a vítima se preocupar com a saúde dela”, destacou a delegada.

De acordo com a delegada, nenhum crime pode ser evitado, mas é importante que as mulheres tenham atitudes preventivas quanto a este. “As mulheres precisam tomar algumas atitudes de prevenção: evitar andar com pessoas desconhecidas, avisar a família para onde está indo. Os aplicativos de transporte são boas opções, por meio deles é possível saber para onde a mulher foi.”

Assim como a psicóloga mencionou, a delegada relatou que o agressor pode estar em qualquer lugar e citou o caso da estudante Janaína, que estava em um local com pessoas conhecidas e por conta do ambiente não imaginava que estaria em perigo. “Ela estava dentro da universidade, próximo aos colegas, mas mesmo naquele local foi violentada e morta. Por isso é importante conscientizar as mulheres que vivemos em uma sociedade machista,” destacou.

Janaína Bezerra

Um dos casos que mais chocaram a sociedade foi o feminicídio e estupro da discente de Jornalismo Janaína Bezerra. A estudante da Universidade Federal do Piauí tinha apenas 21 anos de idade e sonhava em se tornar jornalista ela foi estuprada e morta dentro da universidade durante uma festa de calourada por um mestrando de matemática da instituição. Esse é um dos muitos casos que vemos diariamente. A jovem conhecia o rapaz há pouco tempo antes de ser morta Janaína havia dançado e ficado com o agressor. O caso confirma as falas da psicóloga e da delegada mostrando que muitas vezes o agressor está mais perto do que se imagina.

Registros de abusos sexuais em Teresina

A delegada Lucivânia Vidal informou que a vítima de estupro não é como a vítima que tem um celular roubado elas demoram a registar o boletim de ocorrência, levam um tempo para denunciar. “A mulher ou criança quando sofre um abuso sexual leva um tempo para procurar a delegacia. Com a ajuda da família ou alguém de confiança ela decide procurar a polícia, mas leva tempo”, explicou.

Por conta disso os dados estatísticos referentes aos crimes de estupro e estupro de vulnerável registrados neste ano de 2023 ainda estão sendo mapeados. “Essas informações estatísticas ainda estão sendo levantadas, recentemente passou o carnaval e agora que estão aparecendo as denúncias dos casos”, pontuou.

No ano de 2022, a Gerência de Direitos Humanos (GDH) divulgou dados de casos de abuso sexual registrados em Teresina. As informações são referentes ao período de janeiro a junho do ano passado.  Nas zonas Sul e Leste foram registrados os maiores índices de abuso sexual contra crianças e adolescentes. Totalizando 38 casos na zona Sul e 22 na zona Leste.

O levantamento dos dados pela GDH foi realizado a partir dos  atendimentos feitos nos conselhos tutelares de Teresina e apontam um total de 91 casos de abuso sexual. As zonas com menores índices foram: Sudeste, com 14 casos registrados; e Centro/Norte, com 17 casos. O Laboratório de estudos da violência contra a mulher no Piauí (Elas Vivas Lab), realizou um mapeamento no estado do Piauí  e mostra dados de mulheres em situação de violência no Piauí, inclusive os de estupros ao longo dos anos de 2019 a 2022.

A tabela a seguir mostra a quantidade de boletins de ocorrência registrados contra estupro no período de janeiro a setembro de 2022. A média mensal identificada é de 80 casos de estupro por mês o que significa uma média de 4 estupros por dia.

Mesmo com cansativas investidas do poder público no sentido de prevenir e combater violências contra a mulher ainda sim o crime de estupro tem ocorrido com grande frequência não só na capital, mas também em cidades do interior do estado.

Vejamos agora um gráfico de violência contra a mulher relativo aos crimes contra a mulher no Piauí (2022). Foi observado que os principais indicadores das violências contra as mulheres são: injúria (39%), lesão corporal dolosa (30%), difamação (14%). No entanto é importante destacar que o os boletins de ocorrência contra crime de estupro vem aumentando a cada dia.

A partir dos dados do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (SINAN) e do Ministério da Saúde (MS) relacionado à violência interpessoal, o Observatório Mulher Teresina apontou em estudo realizado em Teresina os tipos de violência sexual contra meninas no período de 2011 a 2011. E verificou-se que o crime de estupro tem crescido na capital. O percentual de estupro contra meninas de 10 a 14 anos de 2011 a 2021 apresenta 72% dos casos, em relação ao assedio sexual 76%. Entre 2011 a 2021, 612 meninas já haviam sofrido episódios de violência outras vezes, representando 42% dos casos.

Quais as consequências dos abusos sexuais?

A pessoa que sofre violência sexual tem a sua saúde física e psicológica afetada o que pode desencadear inúmeras complicações que afetam a vida da vítima em todas as esperas sociais. De acordo com Cléa Luccas os principais são “traumas que podem durar a vida inteira e mudanças comportamentais.” E também podem provocar “transtornos psiquiátricos graves como: estresse pós – traumático, transtorno de humor e transtornos psicóticos e reclusão da vida social e afetiva.”

Via Portal RP50

Curtir isso:

Curtir Carregando...

Relacionado

Portal de União 02/06/2023 02/06/2023
Share this Article
Facebook Twitter Whatsapp Whatsapp Copy Link Print
Previous Article Prefeitura de União, no Piauí, abre novo processo seletivo com 60 vagas
Next Article MPPI ingressa com ação civil pública e pede suspensão de contrato com Organização Social para gerir hospitais do Estado
Portal de União

© Portal de União | Desenvolvido por: LabJobs

 

Carregando comentários...
 

Você precisa fazer login para comentar.

    adbanner
    AdBlock Detectado
    Nosso site é um site com suporte de publicidade. Por favor, coloque na lista de permissões para apoiar nosso site.
    Okay, I'll Whitelist
    Bem vindo!

    Entre no painel administrativo

    Lost your password?
    %d