Notícias de União e Região

Na rota da BALAiada!!

A Balaiada foi uma revolta de cunho político-social que rebentou durante o período Regencial (1831-1840) no Maranhão. O período foi marcado por uma série de revoltas provinciais em todo o Brasil, motivadas pela grave crise econômica, social e política que reinava no país. Reino aliás que estava sem rei, pois D. Pedro II, herdeiro do trono ainda não alcançara a maioridade necessária para governar.

Diante desse cenário, um turbilhão alcançou a vizinha província do Maranhão, governado há muitos anos pelos “cabanos”, designação dada aos membros do Partido da Conservador daquela província. Véspera do estopim da guerra, os “bem-te-vis”, como eram chamados os liberais assumiram o poder. A partir daí as rivalidades se transformaram em perseguição política. Juntou-se a tudo isso uma grave crise econômica que castigava sobretudo a população mais pobre, o recrutamento forçado por parte do governo, e a extinção dos Juízes de Paz através da criação da Lei dos Prefeitos. Eis a receita para irromper uma revolta na região. E assim aconteceu. Em dezembro de 1838 deflagrou-se no Maranhão a Balaiada, ou “Guerra dos Balaios”, nome emprestado por um dos principais líderes da revolta, Manuel Balaio.

O cenário vivido no Piauí era praticamente o mesmo. Aqui, além da crise econômica, social e política, a população vivia sob a ditadura do Barão da Parnaíba, que governava a província com a “mão de ferro” desde 1823. Logo no começo de 1839 ela alcançou o Piauí. Aqui ela se alastrou rapidamente, estendendo-se até meados de 1841, quando oficialmente se deu o fim da insurreição.

E em União, na época ainda um distrito ribeirinho pertencente a Vila de Campo Maior? No Estanhado concentrou-se grande parte das forças legalistas e da resistência rebelde. Foi um local importantíssimo. Vários acampamentos foram instalados na região. Os balaios, motivados em tentarem estabelecer uma cabeça de ponte com o Piauí, e o governo tentando proteger o centro-norte da província da presença rebelde instalaram uma série de pontos e acampamentos. Não tardou muito para o primeiro tiro ser disparado no território “unionense”. No início de setembro de 1839 um confronto em Melancias (atual COMVAP) deu “boas vindas” a Balaiada no Estanhado. A partir daí a povoação foi “sacudida” até o final da guerra.

Muitos combates foram travados em todo o território unionense. A própria povoação foi cercada por balaios em 1839, ficando quase sem alimentos no natal do mesmo ano. Entre 1839 e 1840 ocorreu o maior número de confrontos “em União”. Mussum, Salobro, São Mamede, Prata, Santa Rita, Malhada da Areia, Curimatá e Egito, foram locais infestados por revoltosos e legalistas. O governo na tentativa de reprimir a revolta na província criou duas Colunas de repressão: a Coluna do Oeste, sediada no sul da Província; e a Coluna do Norte, com sede no Estanhado. A escolha se deveu a localização estratégica da povoação. Caxias, o epicentro da revolta naquele momento estava a poucos passos do lugarejo, próximo aos olhares dos legalistas piauienses. Para comandar o Quartel-general dessa Coluna fora designado o bravo major Manuel Clementino de Sousa Martins, sobrinho do Barão da Parnaíba.

Clementino, temido por grande parte dos balaios, protagonizou a maior batalha da região. Em 14 de setembro de 1839 ele fora morto nas matas da Conceição (Maranhão), localidade defronte a Santa Rita. Cerca de 2.500 homens defrontaram-se entre as duas margens durante os dias 11, 12, 13 e 14 de setembro. Clementino, muito afoito, adentrou nas perigosas matas do “Baixão” e lá morto com dois tiros. De acordo com a historiografia, de lá o corpo foi levado de barco até a capela do Estanhado – hoje igreja matriz de Nossa Senhora dos Remédios, para ser sepultado.

A Balaiada no Estanhado “consagrou” personagens então desconhecidos pela historiografia oficial. A grande maioria lutou pelo lado dos “rebeldes”. Albina, filha de um dos líderes balaios da região foi capturada e morta por soldados em meados de 1841; Antônio da Silva Coutinho – o “conspirador”, foi preso, castigado, e depois perdoado pelo governo; José Francisco Alves de Holanda, supostamente um dos primeiros moradores da povoação, foi torturado e morto pelos legalistas por crime de traição; e Manuel Alves Campos, líder do acampamento balaio de Curimatá e supostamente pai de Albina. Estes foram alguns deles.

A Balaiada foi um dos acontecimentos mais importantes para a História de União. Infelizmente ela ainda não deteve a devida importância que merece. Diferentemente da vizinha Caxias (MA), não se tem nenhum monumento ou logradouro que recorde esse acontecimento.

o frei Cegonha..

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