A 6 dias do 2º turno, candidato do PL abre 4 pontos de vantagem sobre opetista nos votos válidos e decisão segue com placar apertado

Pesquisa PoderData/Aya, divulgada nesta 2ª feira (19.out.2026), mostra que as intenções de voto no senador Flávio Bolsonaro (PL) avançaram em 3 dias. Agora, o candidato da direita tem 52% dos votos válidos ante 48% do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de esquerda.
O estudo mostra uma mudança no cenário. Depois do 1º turno de 4 de outubro, Flávio saiu à frente com 6 pontos percentuais de vantagem na primeira pesquisa PoderData/Aya para esta fase da campanha. Na sequência, Lula avançou e a distância entre eles caiu e eles ficaram empatados com 50% cada um. Agora, Flávio retoma a dianteira da disputa pelo Palácio do Planalto. A distância entre os 2 está em 4 pontos percentuais, com vantagem para o candidato do PL.
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No 1º turno das eleições, Flávio teve 47,03% dos votos e Lula, 45,16%. A vantagem do senador sobre o petista havia sido de 1,87 ponto percentual nos votos válidos computados nas urnas.
Na semana passada, a campanha de Lula comemorava a recuperação nas pesquisas. A operação de reanimação eleitoral parecia funcionar. Mas era algo que estava aparecendo no retrovisor do cenário eleitoral. O presidente de fato havia eliminado uma desvantagem de 6 pontos percentuais e empatado com Flávio Bolsonaro. Mas o senador já estava reagindo.
O candidato do PL voltou às ruas, reuniu apoiadores em atos em Vitória (ES), em Salvador (BA) e na av. Paulista, em São Paulo (SP). Suas propagandas na TV, no rádio e na internet passaram a ser ainda mais críticas a Lula. Foi uma reação à semana anterior em que houve grande mobilização digital da esquerda e anúncio de medidas pelo Planalto (PIX de R$ 5.000 para MEIs, aprovação do fim da escala 6×1 e ônibus urbanos de graça aos fins de semana em todo o país). Ainda assim, a direita demonstrou ter capacidade de mobilização e neutralizou as promessas lulistas.
Lula também teve manifestações com grande público nos últimos dias e manteve a mobilização digital impulsionada por jovens deputados e artistas. Mas esse esforço não parece ter sido suficiente para conter a reação da direita. Depois de chegar ao empate, o petista voltou a ficar numericamente atrás.
Os atos de rua parecem ser bolhas que falam com si próprias. Todos os que vão a manifestações de Flávio e de Lula possivelmente já votavam nesses candidatos. As concentrações servem para energizar os militantes, fazer imagens para as redes sociais e demonstrar força. Mas não resultam em muitos votos a mais.
Há um fato agora na reta final que pode estar fazendo alguma diferença. Lula sofreu um desgaste político no sábado (17.out). Em entrevista à CNN, Roberta Luchsinger acusou o presidente de ter conhecimento da relação entre ela e Lulinha, filho do petista. Chegou a questionar a lucidez do petista. As declarações, ainda não comprovadas, repercutiram nas redes sociais e reacenderam o debate sobre corrupção, um tema sensível para o governo.
Não é possível atribuir a mudança nas intenções de voto exclusivamente a um episódio específico. Só que é inegável que desde o final do sábado as redes sociais ferveram com a entrevista da lobista Roberta Luchsinger. A Bites, especializada em monitorar a internet, identificou que no YouTube, vários perfis e canais, com a CNN à frente (2,4 milhões de visualizações até as 19h), divulgaram a entrevista. Foram 438 publicações reproduzindo trechos do conteúdo das declarações de Luchsinger. Nas redes sociais, do total de 5,8 milhões de citações a Lula desde sábado, 12% mencionam a lobista, CNN ou Lulinha, filho do presidente e amigo de Luchsinger.
Não é possível identificar um só fator isolado para explicar o que mostra a pesquisa PoderData/Aya. Mas os números são claros: a recuperação de Lula evanesceu. A rejeição ao presidente subiu para 48%, enquanto a desaprovação de seu desempenho chegou a 50%. Ao mesmo tempo, Flávio recuperou a dianteira.
Só que a disputa segue apertada. Falta menos de uma semana para o desfecho e seria imprudente tentar vaticinar o que as urnas mostrarão na noite de 25 de outubro.
Demografia no 2º Turno
Quando se consideram os votos totais, Lula preserva a preferência em segmentos estratégicos do eleitorado. Entre as mulheres, o presidente registra 51% das intenções de voto, contra 42% do senador do PL.
Flávio vai melhor no Centro-Oeste (60%) e no Sul (62%). Lula mantém grande vantagem no seu reduto histórico, o Nordeste (61%). E, no Sudeste, onde está o maior eleitorado do país, o candidato do PL tem 53% contra 42% do petista.

Rejeição
A oscilação negativa das intenções de voto em Lula teve impacto na taxa de potencial de voto do candidato. Na nova rodada do PoderData/Aya, 48% dos entrevistados dizem que não votariam “de jeito nenhum” no atual presidente. O petista é o “único em que votariam” para 42%.
Entre os que rejeitam Flávio, a taxa oscilou 1 ponto percentual para baixo, de 45% para 44% em 3 dias.
A rejeição ganha ainda mais peso no 2º turno, quando os eleitores dos candidatos que ficaram fora da disputa precisam escolher entre os 2 nomes que seguem na corrida pelo Planalto.
Aprovação do Governo
A menos de uma semana do 2º turno, 50% dos eleitores desaprovam o trabalho de Lula, enquanto 44% aprovam. Outros 6% não souberam responder.
A aprovação do governo é igualmente negativa: 50% desaprovam a administração petista, ante 45% que a aprovam. Outros 5% não souberam responder.
Metodologia
Realização: PoderData, empresa do grupo Poder360 Jornalismo, com recursos próprios.
Parceria de divulgação: Aya Bancah.
Coleta de dados: 16 a 18 de outubro de 2026, por meio de ligações para celulares e telefones fixos (sistema URA).
Amostra: 3.000 entrevistas em 695 municípios das 27 unidades da Federação.
Margem de erro: 1,8 ponto percentual.
Intervalo de confiança: 95%.
Registro no TSE: BR-02586/2026.
via Poder360

