Aliados criticam o tom de “eleição ganha” e cobram reação após petista ganhar espaço com propostas de apelo popular
A campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL) pretende ampliar a presença nas ruas e endurecer os ataques ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na última semana antes do segundo turno, marcado para 25 de outubro.
O plano combina viagens pelo Norte e Nordeste, maior participação dos aliados e preparação para os debates, em uma tentativa de recuperar o protagonismo na disputa.
A orientação é dar mais espaço às propostas e colocar o adversário sob pressão. Integrantes da campanha reconhecem que a reação petista deixou o candidato ocupado em responder a acusações, enquanto os anúncios do governo e a mobilização de apoiadores de Lula passaram a dominar as preocupações dos bolsonaristas.
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O domingo (18/10) concentrará dois compromissos importantes: o ato na Avenida Paulista, em São Paulo, e o debate da Band. A manifestação terá a participação do governador reeleito Tarcísio de Freitas (Republicanos) e do prefeito paulistano, Ricardo Nunes (MDB). A expectativa é mostrar força no mesmo local ocupado pelos petistas uma semana antes.
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As viagens deverão concentrar parte do esforço em áreas onde a equipe tenta reduzir a vantagem de Lula. No Amazonas, por exemplo, o presidente recebeu 48,23% dos votos válidos no primeiro turno, contra 45% do senador, segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Outras lideranças deverão sustentar a mobilização nos locais por onde o presidenciável não passar. Aliados contam com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) para levar apoiadores às ruas.
Confiança excessiva
Esse esforço ocorre em meio à preocupação de que o resultado de 4 de outubro tenha alimentado uma confiança excessiva. Flávio terminou o primeiro turno com 47,03% dos votos válidos, ante 45,16% de Lula, mas as pesquisas mais recentes mostram empate técnico.
A última Quaest, apresentada na quarta (14/10), registrou 46% para o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro e 44% para o atual mandatário. Nos votos válidos, os dois levantamentos apontaram 51% a 49%, respectivamente, um empate técnico.
Aliados avaliam que o quadro exige que Flávio Bolsonaro evite manifestações de vitória antecipada e deixe para depois da eleição as especulações sobre ministros e distribuição de pastas. Para esse grupo, o candidato antecipou discussões que deveriam esperar o resultado das urnas. A prioridade, defendem, deve ser conquistar eleitores.
Entre parlamentares aliados ao candidato, a crítica é que “parece que Flávio está repetindo a pré-campanha”: reage às “pauladas” de Lula, mas encontra dificuldade para fazer suas propostas ganharem repercussão. Eles apontam, por exemplo, que o senador ficou “refém” das acusações de que cortaria programas sociais e demorou a enfrentá-las.
A intenção agora é evitar que a última semana se resuma a uma defensiva e repetição de negativas. O problema, segundo auxiliares, é que o governo tem conseguido colocar em discussão medidas de apelo popular e obrigar o concorrente a se posicionar.

O fim da escala 6×1 foi o exemplo mais claro. Depois de meses de críticas, o candidato do PL mudou de posição e votou a favor do texto aprovado pelo Senado na quarta. No dia seguinte, Lula procurou prolongar o assunto ao prometer uma proposta de transporte coletivo gratuito nos fins de semana e feriados, a partir de 2027, caso seja reeleito.
Na sabatina à TV Globo, o presidente também defendeu a redução da maioridade penal em crimes hediondos, dos atuais 18 para 16 anos. O tema era considerado polêmico dentro do campo progressista, mas a nova coordenação da campanha petista avaliou que um posicionamento de Lula sobre o tema era necessário para frear a utilização da pauta por bolsonaristas.
Preparação
A segurança será uma das frentes de ataque no debate da Band. Flávio pretende questionar por que os governos do PT não reduziram a maioridade penal e por que Lula passou a defender a mudança apenas na reta final da eleição.
A preparação para o confronto inclui ainda cobranças sobre as dificuldades financeiras da população e a tentativa de associar o petista à crise no Supremo Tribunal Federal (STF), sobretudo aos ministros Alexandre de Moraes e Flávio Dino.
Nos últimos dias, após ter sido liberado por Moraes, Flávio Bolsonaro visitou o pai, que cumpre pena, em prisão domiciliar, por tentativa de golpe de Estado. Os encontros, segundo aliados, serviram para que Bolsonaro orientasse o filho nos dias finais da disputa ao Palácio do Planalto.
Contagem regressiva para as urnas
- Comícios poderão ocorrer até quinta-feira (22/10).
- Propagandas pagas ou impulsionadas na internet também acabarão na quinta.
- O horário eleitoral gratuito e os debates no rádio e na TV terminam na sexta (23/10).
- Caminhadas, carreatas e distribuição de santinhos serão permitidas até as 22h de sábado (24/10).
- O segundo turno será no domingo (25/10), com votação das 8h às 17h, pelo horário de Brasília. A divulgação dos resultados começa após o fechamento das urnas.
O senador confirmou presença no confronto da Band depois de anunciar que não participaria. Pesou na revisão o risco de deixar Lula falar sozinho. Também há expectativa de comparecimento ao debate da Globo, em 23 de outubro, dois dias antes da votação.
Há expectativa de que seja reforçada a veiculação de materiais relembrando investigações envolvendo o entorno de Lula e reforçando a alta em alimentos e índices de segurança dos governos petistas.
Metropoles





