UNIÃO (PI) – Enquanto dezenas de municípios piauenses celebram a chegada de novos veículos para reforçar o atendimento a famílias vulneráveis, União assiste ao desembarque desses recursos bem longe de suas fronteiras. O avanço do programa MobSUAS (Mobilidade no Sistema Único de Assistência Social) no Piauí — que já entregou mais de 160 veículos no estado com o apoio do Governo Federal — escancarou uma ausência incômoda na lista de beneficiados, gerando forte cobrança sobre a representação política da cidade, em especial sobre o deputado federal Merlong Solano (PT).
Visto localmente como um dos parlamentares majoritários e historicamente bem votados no município, Solano agora enfrenta o desgaste de não ter carimbado uma única van acessível para a assistência social de União. A ausência do veículo afeta diretamente o deslocamento de psicólogos e assistentes sociais, limitando o alcance de serviços essenciais na vasta zona rural da região.
Isolamento no mapa das entregas
A insatisfação popular ganha força quando se analisa o mapa da distribuição dos veículos estruturados pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social (MDS). Cidades vizinhas e com menor densidade populacional conseguiram garantir seus equipamentos. Municípios vizinhos como Miguel Alves, Altos, Cabeceiras do Piauí e Beneditinos foram contemplados e já contam com as novas frotas nas ruas.
- Publicidade -
As vans entregues pelo programa funcionam como verdadeiros “CRAS itinerantes”. Equipadas com teto alto, ar-condicionado e elevadores hidráulicos para o embarque de cadeirantes, elas são projetadas justamente para alcançar localidades distantes de difícil acesso — uma realidade urgente para os povoados e comunidades rurais de União que acabaram ficando desamparados nesta etapa.
A cobrança por reciprocidade política
No cenário político local, a crítica central gira em torno da falta de contrapartida. O eleitorado de União sempre respondeu com expressivas votações nas urnas para garantir o mandato do deputado em Brasília. No entanto, o retorno prático desse capital político tem sido questionado diante do esquecimento de União em agendas sociais tão robustas.
A falta de articulação para incluir o município nas frentes de mobilidade do SUAS deixa as equipes socioassistenciais locais operando no limite de suas capacidades, sem a estrutura necessária para a busca ativa de quem mais precisa. Para lideranças locais, o episódio serve como um alerta claro de que o prestígio político conquistado com os votos de União precisa se reverter em benefícios reais, e não apenas em promessas de campanha.

