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Piauí Conectado: ruptura, confisco e o golpe de R$ 650 milhões

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Last updated: 24/04/2026
Portal de União 71 Views
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A extinção do contrato da Parceria Público-Privada (PPP) responsável pela implantação da rede estadual de conectividade, denominada Piauí Conectado, deixou de ser apenas um ato administrativo controverso para se tornar um marco que levanta questionamentos estruturais sobre legalidade e a expropriação de ativos privados no Brasil.

Foto: ReproduçãoEdson Luiz, da Globaltec

Edson Luiz, da Globaltask

Após mais de cinco anos de plena execução, sem registros prévios de inadimplência, o contrato foi interrompido de forma abrupta pelo governo piauiense. A sequência de medidas — que incluiu a retenção de pagamentos, processo sancionatório, intervenção e, por fim, a decretação de caducidade — não teria sido acompanhada, segundo documentos obtidos, de uma demonstração técnica consistente de colapso ou comprometimento real da prestação do serviço.

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O ponto mais crítico reside na fase posterior à caducidade: a infraestrutura implantada — cujos investimentos superam o valor histórico de R$ 650 milhões — passou ao controle estatal sem que tenha havido a devida indenização prévia à concessionária, descumprindo regras fundamentais para contratos dessa natureza. Analistas do setor apontam que a situação caracteriza um desequilíbrio relevante e configura a apropriação de ativos privados sem a correspondente compensação financeira.

Uma rede implantada e o paradoxo da ruptura.

O próprio poder público, nos documentos que fundamentaram o projeto original, descrevia o cenário anterior da conectividade estadual como “calamitoso”, marcado por baixa cobertura digital e altos custos.

A concessão surgiu justamente para substituir esse modelo precário por uma rede de alta capacidade.
É nesse contexto que surge a principal contradição: a caducidade de um contrato de serviço contínuo exige a comprovação de falha grave ou risco iminente de interrupção. No entanto, não há evidência pública consolidada de que a infraestrutura tenha deixado de operar. Pelo contrário, os dados indicam que o projeto entregou uma malha estruturante de: mais de 7.500 km de fibra óptica; Cobertura integral dos 224 municípios; Integração total da rede administrativa estadual.

Sede do Piauí Conectado

Indicadores de desempenho reforçam esse diagnóstico. Levantamentos de mercado mostram que, após o início das operações, o Piauí deixou as últimas posições em conectividade para figurar entre os estados com melhor velocidade média de internet no país. Esse salto impactou diretamente áreas como educação, saúde e segurança pública, ampliando a capacidade operacional do governo.

A sequência dos atos sob análise

A sucessão de atos administrativos sugere um encadeamento que vem sendo questionado quanto à sua coerência. A partir de 2023, o governo Rafael iniciou a retenção de parcelas da contraprestação mensal por motivos supostamente extracontratuais, fugindo à lógica de remuneração por desempenho técnico.

Posteriormente, os relatórios produzidos durante o período de intervenção tornaram-se alvo de críticas. Segundo análises técnicas, tais documentos carecem de metodologia padronizada de auditoria e utilizam parâmetros do anteprojeto de engenharia como se fossem obrigações vinculantes — embora, na estrutura de uma PPP, esses elementos possuam caráter apenas referencial.

Somam-se a isso questionamentos sobre a qualificação técnica dos responsáveis pelas vistorias e possíveis conflitos de interesse, o que comprometeria a validade das conclusões. O próprio relatório final da intervenção admitiu não ter esgotado a totalidade das verificações no prazo regulamentar de 60 dias, gerando dúvidas sobre a robustez das irregularidades apontadas.

Conclusão e reflexos na segurança jurídica

Diante desse cenário, emerge uma tensão entre forma e substância: de um lado, uma infraestrutura plenamente funcional e utilizada; de outro, uma ruptura administrativa sustentada por fundamentos técnicos frágeis.

A ausência de demonstração objetiva de falha no serviço, somada ao uso contínuo da rede pelo Estado sem o pagamento da indenização devida, desloca o debate para além do caso concreto. O episódio alcança a própria segurança jurídica de projetos estruturantes no Brasil, sinalizando um risco regulatório que preocupa investidores. Na sequência, apresentamos a perspectiva do protagonista envolvido para compreender os elementos que sustentam cada versão dos fatos.

ESPECIAL: TUDO O QUE VOCÊ PRECISA SABER SOBRE O CASO “PIAUÍ CONECTADO”

A entrevista é com o engenheiro Edson Luiz Ribeiro, diretor presidente da Globaltask S/A.

O Portal AZ preparou um roteiro de 20 perguntas que desvendam os bastidores da disputa bilionária entre a Globaltask e o Governo do Piaui.

1. Portal AZ: para o cidadão que usa a internet na praça ou no posto de saúde, o que mudou com esse projeto?

Edson Luiz: Antes, a internet nos órgãos públicos era como um radinho de pilha: falhava, era lenta e só tinha na capital. Nós instalamos fibra óptica — a tecnologia mais rápida do mundo — em todo o Estado e em todas as cidades. Isso permitiu que o médico no interior acessasse o prontuário do paciente em Teresina instantaneamente. Que o cidadão fizesse um boletim de ocorrência sem ir a delegacia, no celular e, de uma praça pública no interior, pudesse se conectar com o mundo, estudar e trabalhar.

1. Portal AZ: Por que o Piauí precisou de uma empresa privada (PPP) para fazer isso e não fez sozinho?

Edson Luiz: Porque o Estado não tinha os conhecimentos especializados de implantação de uma rede deste porte e não dispunha de R$ 650 milhões necessários para construí-la. A empresa, com seu conhecimento especializado,  colocou o dinheiro na frente, construiu a rede e o Estado se comprometeu a pagar  o financiamento dessa construção em prestações ao longo do contrato.

1. Portal AZ: O senhor afirma que o Piauí se tornou referência. Onde o cidadão vê isso?

Edson Luiz: Nos rankings nacionais. O Piauí saiu do atraso para ser um dos estados com a internet mais rápida e de melhor qualidade do Brasil. Se hoje você consegue resolver coisas pelo celular no portal do Governo, é porque a “estrada digital” que construímos permite isso. O Piauí, segundo levantamento nacional do MEC de 2026 ( Ministério da Educação) possui o maior percentual de escolas conectadas do Brasil, 93%. É o campeão nacional da Conectividade nas escolas. Tudo isto graças ao Projeto Piauí Conectado.

1. Portal AZ: O Governo diz que a instalação dos cabos estava “fora do padrão”. Isso prejudicou a internet do povo?

Edson Luiz: De jeito nenhum. A internet continuou rápida e funcionando. O Governo começou a reclamar da “cor do parafuso” para não focar no principal: a conectividade estava sendo entregue com qualidade.

1. Portal AZ: É verdade que o Estado usou um “rascunho” para multar a empresa?

Edson Luiz: Eles usaram o anteprojeto de engenharia, que é apenas uma concepção inicial do projeto, como o próprio nome diz, como se fosse uma regra absoluta. É como se você contratasse uma casa, ela ficasse ótima, mas você se recusasse a pagar porque a cor dos parafusos utilizados era um tom mais forte no desenho inicial.

1. Portal AZ: Por que a mudança de comportamento do Estado só aconteceu em 2023?

Edson Luiz: Até 2022, a relação era técnica e os resultados eram celebrados. Com a nova gestão, o diálogo acabou e começou uma caça às bruxas, por razoes extracontratuais, para encontrar motivos para encerrar o contrato.

A COR DA TINTA (CADUCIDADE)

1. Portal AZ: O que acontece quando o Estado decreta a “Caducidade”?

Edson Luiz: Na prática, o Estado “tomou as chaves” do negócio. Eles expulsaram a empresa e assumiram o controle de tudo o que nós construímos com nosso dinheiro, trabalho e conhecimento especializado.

1. Portal AZ: Houve o tal “colapso” que o Governo alega para ter tomado essa medida?

Edson Luiz: Não. Colapso é quando o serviço para, quando a rede cai e o Estado fica no escuro. Isso nunca aconteceu. O serviço estava — e está — funcionando perfeitamente.

1. Portal AZ: Se o serviço não parou, por que tomar a empresa?

Edson Luiz: O Estado queria a rede para ele, mas não queria pagar o preço.

1. Portal AZ: O que o senhor viu de errado na intervenção feita pelo Estado?

Edson Luiz: A intervenção desviou-se de sua finalidade legal. Em vez de atuar na correção de eventuais falhas e na garantia da continuidade do serviço, que é o objetivo legal das intervenções, concentrou-se na coleta de elementos para fundamentar o afastamento da concessionária, sem que tenham sido produzidas evidências técnicas mínimas capazes de sustentar essa medida.”

A CONTRADIÇÃO: “NÃO PRESTA, MAS EU QUERO”

1. Portal AZ: Quem opera a internet do Piauí hoje?

Edson Luiz: O Estado, através de uma empresa própria (Etipi).

1. Portal AZ: O Estado está usando a rede que a Globaltask implantou?

Edson Luiz: Sim. O Estado continua operando sobre a mesma infraestrutura implantada pela concessionária. Isso revela uma contradição evidente: a execução é formalmente questionada, mas, na prática, os ativos seguem sendo utilizados como base da operação, o que confirma sua funcionalidade e utilidade econômica.

1. Portal AZ: Se o Estado tomou a rede, ele já pagou a empresa pelo que foi construído?

Edson Luiz: Não. O Estado assumiu a utilização de ativos da concessionária, investimentos de cerca de R$ 650 milhões, sem que tenha ocorrido a correspondente compensação financeira, o que, na prática, torna-se um confisco patrimonial.

1. Portal AZ: O que a lei diz sobre tomar bens de uma empresa sem pagar?

Edson Luiz: O contrato prevê a reversão dos bens, mas condiciona essa reversão à devida indenização dos investimentos. Quando a infraestrutura continua sendo utilizada sem indenização correspondente, configura-se, na prática, uma expropriação econômica de ativos da concessionária.

O IMPACTO NO SEU BOLSO (CONTRIBUINTE)

1. Portal AZ: O Estado diz que está economizando ao romper o contrato. Isso é verdade?

Edson Luiz: Trata-se de uma economia falsa. Primeiro: não se faz economia não pagando fornecedores. Segundo: a não realização do pagamento no presente  se converte em passivo ainda mais caro no futuro, com atualização monetária, juros, multa e eventuais encargos.

1. Portal AZ: Por que essa briga pode afastar novas empresas do Piauí?

Edson Luiz: Imagine um empresário que quer construir uma estrada ou um hospital no Piauí. Ele vai indagar: “Se eu fizer um bom trabalho, o Governo ainda assim pode inventar uma desculpa e tomar meu investimento sem me pagar?”. O risco fica alto e ninguém quer investir onde o contrato não vale.

1. Portal AZ: Como fica o custo dos novos serviços para o Estado?

Edson Luiz: Fica mais caro. Qualquer empresa que vier prestar serviço vai cobrar mais caro para se proteger. Quem paga essa conta, no final, é o cidadão através dos impostos.

1. Portal AZ: Por que o Estado está fugindo da “Arbitragem” (justiça especializada)?

Edson Luiz: Porque na Arbitragem o julgamento é feito com isenção por técnicos especializados. O Estado prefere a justiça comum local para tentar ganhar tempo e evitar as decisões técnicas que comprovam que a rede operava perfeitamente.

1. Portal AZ: Em resumo: qual o perigo desse caso para o futuro do Piauí?

Edson Luiz: O perigo é o Piauí ficar com fama de “mau pagador” e de um lugar onde as leis e o contrato não são respeitados. Isso trava o progresso e o desenvolvimento, comprometendo o futuro do Estado.

O QUE O CIDADÃO PRECISA GUARDAR:

• A REDE FUNCIONA: O Estado tomou a rede e continua usando-a diariamente.
• SEM PAGAMENTO: Investimentos de R$ 650 milhões foram confiscados sem indenização.

Via Portal AZ

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