Quando falta pano num dos maiores hospitais, sobra responsabilidade
O episódio exposto na TV Clube e replicado pela oposição ontem, por ocasião do Dia Mundial da Saúde, de uma mãe que percorreu cerca de mil quilômetros com uma criança com cirurgia agendada no Hospital Infantil de Teresina e retornou para casa sem cirurgia por falta de pano e acessórios cirúrgicos — não é apenas um problema administrativo.
E desorganização estatal
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É um retrato cruel de desorganização estatal. E, em política, desorganização custa caro — sobretudo quando atinge a saúde de uma criança.
Não se trata de um detalhe técnico. Falta de material básico em hospital público é falha de gestão.
O sistema de Rafael não funciona
O governador precisa ser alertado que falha de gestão, quando persiste por semanas, deixa de ser acidente e passa a ser sintoma. Sintoma de um sistema que não está funcionando como deveria.
Se, como relatado, o problema já era conhecido há cerca de um mês, a pergunta que ecoa não é pequena: quem sabia e por que nada foi feito?
Omissão
Na administração pública, silêncio prolongado diante de uma falha grave não é prudência — é omissão.
Governos não são julgados apenas pelas grandes obras ou pelos números em planilhas. São julgados, sobretudo, pelos momentos em que o cidadão mais precisa. E não existe momento mais dramático do que o de uma mãe esperando por uma cirurgia para seu filho.
O desgate é do chefe
Politicamente, a conta é inevitável. Quando a estrutura falha, o desgaste não fica restrito a um diretor de hospital ou a um secretário.
Ele sobe a escada do poder e bate à porta do governador. Não por maldade, mas por lógica institucional: a responsabilidade final sempre é do chefe do Executivo.
E há um agravante silencioso nesse caso: a ausência de uma resposta oficial clara, até hoje a administração pública estadual nada disse, nada explicou sobre o episódio.
Mudou o Secretário, mas a omissão quanto a casos como esse piorou.
Em crises públicas, o vazio de informação é rapidamente preenchido pela indignação popular. E indignação, quando se espalha, vira desgaste político.
O governo ainda tem tempo de reagir — mas precisa reagir com transparência, ação imediata e explicação objetiva.
Porque, na política, erro pode até ser perdoado.
O que a população não tolera é a sensação de abandono que está se espalhando.
Via Portal AZ

