Ao longo de mais de 10 meses de funcionamento, a CPMI do INSS expôs um dos mais repugnantes esquemas de saque sistemático contra aposentados da história recente do Brasil. Um esquema frio, calculado e persistente, que drenou bilhões de reais de pessoas simples — muitas delas doentes, pobres e dependentes de cada centavo para sobreviver.
Mas tão escandaloso quanto o roubo em si foi o comportamento do PT e de seus asseclas políticos diante da tentativa de investigação.
Desde o primeiro minuto, o partido agiu não como quem deseja esclarecer crimes, mas como quem teme desesperadamente que eles sejam esclarecidos. Votou contra a criação da CPMI. Trabalhou contra sua instalação. Resistiu às convocações de personagens amplamente citados nas investigações. Blindou aliados. Obstruiu requerimentos. Travou quebras de sigilo. E utilizou cada brecha regimental possível para transformar a comissão em um campo minado contra a verdade.
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Foi sabotagem política em estado puro.
Nenhum parlamentar do PT assinou o pedido de criação da CPMI. Nenhum. Quando perceberam que não conseguiriam impedir sua instalação, passaram a operar por dentro, com disciplina quase militar, para esvaziá-la e neutralizá-la. Retardaram indicações, tumultuaram sessões, bloquearam depoimentos e usaram a maioria governista como escudo institucional para impedir que a investigação avançasse sobre nomes incômodos.
Não foi erro. Não foi coincidência.
Foi estratégia.
Uma estratégia típica de quem controla a máquina política e a utiliza não para proteger a população, mas para proteger seus próprios quadros.
O comportamento dos governistas foi tão descarado que chegou ao grotesco. Deputados e senadores da base governista atuaram como verdadeiros advogados de defesa dos investigados — muitos deles aliados históricos do próprio partido. Em vez de buscar justiça para aposentados lesados, preferiram gastar energia tentando desqualificar a investigação e construir narrativas diversionistas.
E a mais absurda dessas narrativas foi a tentativa de culpar Jair Bolsonaro pela criação do esquema.
Uma tese tão ilógica que beira o ridículo.
Segundo essa versão conveniente, o governo anterior teria criado uma engrenagem criminosa para beneficiar justamente sindicatos, associações e entidades historicamente vinculadas ao universo político do PT — grupos que orbitam a esquerda há décadas e que sempre estiveram muito mais próximos do lulismo do que de qualquer outro governo.
É uma explicação que não se sustenta nem no mais indulgente exercício de imaginação.
Se houvesse qualquer prova sólida de responsabilidade direta do governo anterior, o comportamento natural de um governo seria estimular a investigação com entusiasmo. Seria expor documentos. Convocar testemunhas. Produzir manchetes. Capitalizar politicamente cada descoberta.
Mas o que se viu foi o oposto.
O PT fez tudo para impedir.
Tudo.
Votou contra a criação da CPMI. Votou contra convocações. Votou contra quebras de sigilo. Votou contra aprofundamento das investigações.
E, quando não conseguiu bloquear completamente o trabalho, tratou de esvaziá-lo e desacreditá-lo.
A atuação foi tão sistemática que muitos parlamentares da base governista pareciam mais empenhados em proteger suspeitos do que em proteger aposentados.
E então veio a cena que sintetizou tudo.
Parlamentares petistas sorrindo, comemorando e fazendo o gesto do “L” ao final dos trabalhos da comissão. Uma celebração que não soou como dever cumprido, mas como alívio institucional — o alívio de quem escapou de uma investigação potencialmente devastadora.
Foi a imagem de um poder político festejando o encerramento de uma apuração sobre o roubo de idosos.
Uma imagem que dispensa explicações.
Ao longo da CPMI, surgiram indícios de conexões entre operadores do esquema e figuras próximas ao núcleo político do governo. Processos administrativos desapareceram. Investigações foram retardadas. Informações foram sonegadas. E dados essenciais foram tratados como se fossem segredos de Estado.
Enquanto isso, o governo adotou a velha fórmula: abrir os cofres públicos para conter o desgaste político.
Bilhões foram liberados para ressarcir parcialmente as vítimas — não com dinheiro recuperado dos responsáveis, mas com recursos pagos pelos próprios contribuintes. Em outras palavras, a população foi obrigada a pagar duas vezes: primeiro como vítima do esquema e depois como financiadora do ressarcimento.
É a socialização do prejuízo e a privatização da responsabilidade.
No momento decisivo, a maioria governista fez o que sempre faz quando o risco político aumenta: usou o peso dos números para enterrar conclusões incômodas. Rejeitou o relatório que pedia indiciamentos e substituiu a investigação por uma narrativa política conveniente, insistindo na tese de que “a culpa é do adversário”.
Não houve surpresa.
Houve previsibilidade.
Porque, desde o início, o objetivo nunca foi esclarecer o escândalo. Nunca foi punir responsáveis.
Nunca foi defender aposentados.
O objetivo foi proteger aliados. Preservar estruturas.
Evitar danos eleitorais.
E, acima de tudo, impedir que a verdade chegasse inteira ao conhecimento da população.
O comportamento do PT e de seus asseclas ao longo da CPMI não foi o de um partido comprometido com a justiça, mas o de um grupo político disposto a usar sua maioria institucional para sufocar investigações e blindar seus próprios interesses.
Quando um partido luta contra a investigação desde o primeiro minuto, bloqueia depoimentos, protege aliados e comemora o encerramento de uma apuração sobre fraudes bilionárias contra aposentados, não está defendendo a população.
Está defendendo a si mesmo.
E isso, mais cedo ou mais tarde, cobra um preço político.
Via Portal Gazeta do Povo

