Um levantamento recente realizado pela SERASA em parceria com o Instituto Opinion Box revelou um dado que merece profunda reflexão: o custo médio de vida no estado do Piauí gira em torno de R$ 2.690,00, enquanto a média nacional alcança R$ 3.520,00. À primeira vista, pode parecer que o Piauí está em situação “menos onerosa” que o restante do país. Mas basta olhar além dos números frios para perceber que o cenário é, na verdade, alarmante.
O estudo representa um verdadeiro choque de realidade — um “tapa” que desmonta narrativas otimistas propagadas nos últimos anos. Fala-se reiteradamente que o Brasil superou o “mapa da fome”, que os indicadores sociais melhoraram e que o poder de compra foi recuperado. No entanto, como sustentar esse discurso diante de um custo de vida que ultrapassa, com folga, a renda de grande parte da população?
No Piauí, é fato conhecido que 600 mil piauienses, da população economicamente ativa depende direta ou indiretamente de programas de transferência de renda para sobreviver. Os empregos formais não chegam a 400 mil. Em nível nacional, estima-se que milhões de brasileiros também estejam vinculados a algum tipo de auxílio governamental. Isso não é, por si só, motivo de condenação — políticas sociais são instrumentos importantes. O problema surge quando o benefício se torna regra e não exceção, quando passa a substituir oportunidades reais de geração de emprego, renda e desenvolvimento. Aquilo que o senso comum costuma dizer: “é preciso ensinar a pescar ou invés de dar o peixe”!
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Como cobrir um custo médio mensal de R$ 2.690,00 em um estado onde grande parte dos trabalhadores recebe salários próximos ao mínimo? Mesmo que todos estivessem formalmente empregados, com carteira assinada, ainda assim muitos lares estariam abaixo do padrão estimado pelo estudo. Isso evidencia uma desconexão entre renda real e custo efetivo de sobrevivência.
Moradia, alimentação, transporte, energia, medicamentos — tudo ficou mais caro. O orçamento das famílias está cada vez mais comprimido. O que antes era dificuldade virou sufocamento financeiro. E a sensação nas ruas, nos comércios e nas periferias é clara: o dinheiro não dá.
O levantamento também escancara um debate que precisa ser feito com maturidade: qual modelo econômico e social estamos adotando há décadas? Se após quase 30 anos de determinadas diretrizes políticas ainda convivemos com baixa produtividade, elevada dependência estrutural de benefícios sociais e crescimento tímido, é legítimo questionar os resultados.
Não se trata de atacar programas sociais, mas de reconhecer que assistência não pode substituir desenvolvimento. É preciso encontrar um caminho para oportunidades reais! Não se trata de negar avanços pontuais, mas de admitir que eles são insuficientes diante da realidade cotidiana da população.
O discurso institucional pode até apontar indicadores positivos. A publicidade oficial pode até celebrar conquistas ou fabricar dados. Mas a vida real acontece no supermercado, na conta de luz, no preço do gás e no aluguel. E ali, a matemática é implacável.
Se a sociedade brasileira — e, em especial, os piauienses — não refletirem criticamente sobre esse cenário, a tendência é de agravamento. O custo de vida continuará pressionando, a renda seguirá estagnada e a dependência estrutural se aprofundará.
O estudo da SERASA não é apenas um dado estatístico. É um alerta. Um convite à lucidez. Uma oportunidade para que o debate saia do campo das narrativas e se instale no terreno da realidade concreta.
A pergunta que fica é simples e urgente: vamos continuar aceitando o discurso ou finalmente encarar os números?

