Pescadores artesanais do estado do Piauí vivem um cenário de profunda apreensão diante do atraso no pagamento do seguro-defeso, benefício garantido por lei aos trabalhadores da pesca durante o período de proibição da atividade, quando a captura de peixes é suspensa para preservação das espécies.
De acordo com a presidente da Confederação dos Pescadores do Estado do Piauí, **Raimunda de Souza**, o problema se arrasta há meses e inclui parcelas que deveriam ter sido pagas ainda em **2024**, mas que, até o momento, não foram creditadas aos beneficiários. A situação atinge aproximadamente **70 mil pescadores em todo o estado**.
Durante entrevista concedida a uma emissora de televisão, Raimunda de Souza afirmou que o atraso tem gerado consequências graves para milhares de famílias que dependem exclusivamente da pesca artesanal para sobreviver. Segundo ela, os pescadores estão impedidos de exercer a atividade por força da legislação ambiental e, ao mesmo tempo, não podem buscar outras fontes de renda sem o risco de perder o direito ao benefício.
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> “Os pescadores estão de mãos atadas. Não podem pescar por causa do defeso, não podem trabalhar em outra atividade para não perder o benefício e, ainda assim, o governo federal não faz o pagamento. Estamos falando de famílias inteiras passando fome”, afirmou a presidente.
O seguro-defeso é uma política pública essencial para garantir renda mínima aos pescadores artesanais durante o período de reprodução dos peixes, assegurando tanto a preservação ambiental quanto a dignidade humana dessas populações tradicionais. No entanto, a falta de regularidade nos pagamentos tem colocado em xeque a efetividade do programa.
Entidades representativas da categoria cobram providências urgentes do **Governo Federal**, especialmente do Ministério responsável pela gestão do benefício, para que os pagamentos atrasados sejam regularizados e novos atrasos sejam evitados. Segundo lideranças do setor, a demora compromete não apenas a subsistência imediata das famílias, mas também gera endividamento, insegurança alimentar e agravamento das condições sociais nas comunidades ribeirinhas e litorâneas do estado.
Enquanto aguardam uma solução, milhares de pescadores piauienses seguem vivendo a incerteza, divididos entre o cumprimento da lei ambiental e a luta diária pela sobrevivência.

