Direção do Hospital Regional de Bom Jesus mandou prender repórter da TV Piauí que foi apurar falta de médico diarista e falta de medicação e material na UTI
A Direção do Hospital Regional Manoel de Sousa Santos de Bom Jesus (646 km de Teresina) mandou prender o repórter Efrém Ribeiro, da TV Piauí, à 0h20 deste domingo (8) por estar produzindo reportagem sobre a decisão do Ministério Público Estadual de investigar irregularidades no estabelecimento hospitalar, do Governo do Piauí, por não ter médico diarista e falta de medicação e material para o funcionamento da Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
A partir do final da noite, funcionário do Hospital Regional de Bom Jesus passou a filmar o repórter e incentivar a pacientes e a um motorista de ambulância que chamassem a polícia porque o jornalista tinha filmado criança e pacientes.
Seis policiais militares do 19° da Polícia Militar (BPM), sob o comando do sargento Vander, em duas viaturas policiais, foram prender o repórter e o conduziram para a Delegacia Regional de Bom Jesus.
Um motorista da ambulância foi em outra viatura para acusar o repórter Efrém Ribeiro de ter filmado uma mãe e uma criança sem máscaras chegando no Hospital Regional de Bom Jesus.
O agente da Polícia Civil Laércio Luz mandou o repórter Efrém Ribeiro e o motorista da ambulância sentarem e telefonou para o delegado regional de Bom Jesus e afirmou que filmar não é crime e poderia ser crime a divulgação das imagens sem o consentimento das pessoas, mas o simples registro não é crime e verificou nas imagens do telefone celular apenas o repórter falando do hospital, mas sem registro de crianças e ambulância.
“Ele pode ter apagado as imagens, mas não tem imagens de crianças em seu telefone, só ele falando do hospital. Eu falei com o delegado, que tem mais conhecimentos jurídicos, ele falou que a questão de direitos de imagens é da área cível e não houve crime”, declarou Laércio Luz, que não registrou Boletim de Ocorrência (BO).
Os policiais militares, porém, fizeram uma ficha do repórter e perguntaram seu nome, número do CPF, nome da mãe, cidade em que nasceu, estado civil, endereço e telefone.
O motorista da ambulância não foi submetido ao mesmo questionário.
O repórter Efrém Ribeiro foi liberado da Delegacia Regional de Bom Jesus às 1h20 e voltou caminhando, por ruas desertas para o Hospital Regional.
O estudante Jefferson de Sousa disse que estava esperando há quase duas horas pelo médico no Hospital Regional de Bom Jesus.
Ele desmaiou no povoado
Caraíbas, na zona rural de Bom Jesus, depois que foi defender o irmão que tinha sofrido acidente de motocicleta, foi agredido por populares e encaminhado para o Hospital Regional.
“Há horas que nós chegamos e o médico não aparece. É para ele medir minha pressão e saber porque eu desmaiei”, falou Jefferson de Sousa, que desistiu de esperar o médico e foi embora para sua casa com o pai.
O pintor José Delfino Santiago estava deitado em cadeiras do Hospital Regional de Bom Jesus esperando o médico, na noite de sábado, para ser atendido por estar sentido dores, vomitado muito, não se alimentado e com os sintomas da dengue.
José Delfino Santiago relatou que foi atendido na sexta-feira (6) no Hospital Regional de Bom Jesus com fortes dores e quadro de dengue, foi medicado com dipirona e encaminhado de volta para casa.
“Estou com os sintomas de dengue, vim para o hospital, tomei dipirona e fui para casa, mas disparei a vomitar, estou vomitando direto, se tomo água volta tudo e vontade de comer, eu não tenho. Agora estou esperando o médico”, disse José Delfino Santiago.

