Neste sábado (18), a APL (Academia Piauiense de Letras) fez eleições para escolha da nova diretoria e ocupação das cadeiras deixadas pelos acadêmicos Manoel Paulo Nunes e Wilson Gonçalves, falecidos recentemente.
O governador Wellington Dias (PT) apresentou sua inscrição para a cadeira do acadêmico Wilson Gonçalves. Pouco antes da eleição liberou uma verba no valor de R$ 360 mil para impulsionamento de projetos culturais da APL.
No entanto, alguns entendem como tentativa de compra de votos. O governador não deveria disputar eleição. Poderia até ser eleito por aclamação sem disputa. Mas daí a concorrer com outro escritor seria uma injustiça muito grande. Não tem como ser beneficiado pelo peso da máquina governamental.
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Ainda mais em se tratando de Wellington Dias, conhecido por usar a máquina em eleições para governo, assembleia e recentemente para o Tribunal de Contas do Estado, quando impôs o nome de sua companheira de partido, a ex-deputada Flora Izabel. Flora se desfiliou, mas todos sabemos que sua alma é petista. E que seu coração obedecerá completamente a qualquer desmando do governador.
Pois bem. Wellington concorreu contra vários escritores, dentre os quais Antenor Rêgo e Kenard Kruel. Kruel chegou a fazer um desabafo nos sites petistas para dizer que Wellington pode, sim, concorrer, porque é um escritor reconhecido e premiado. Nunca vimos nenhuma declaração tão entreguista como esta.
Repetimos. Ele pode concorrer, desde que deixe o cargo de governador. Porque não seria eleito por ser escritor. E sim por estar no poder. Mas, aos fatos. Na eleição, a proclamada vitória de Sua Excelência não se confirmou. Os acadêmicos presentes impuseram a Dias um resultado inesperado. Ele teve 18 votos contra 9 votos atribuídos a Antenor de Castro Rêgo. Outros votados foram Diego Mendes Sousa (4) e José Nunes Fernandes (1 voto).
O chefe do Executivo estadual foi para um inusitado segundo turno em disputa com Antenor Rêgo, que se recusou em desistir da disputa mesmo aconselhado por amigos. Disseram a ele que estaria concorrendo não contra o pretenso escritor Wellington Dias e sim contra o governador do estado. Com todos os atributos, principalmente negativos, que o cargo possui. A eleição será decidida depois do recesso. Para ser eleito em primeiro turno ele precisaria ter conquistado 19 sufrágios ao menos.
Na cadeira de Manoel Paulo Nunes foi escolhido o professor Carlos Evandro, um cidadão totalmente do bem, um intelectual renomado entre seus pares. Ele teve 32 votos, segundo nos informa o presidente da Comissão Eleitoral, acadêmico e ex-presidente Reginaldo Miranda. Já na cadeia de Wilson Gonçalves, o resultado será conhecido oportunamente, quando se tiver a data para a segunda etapa do pleito. O resultado negativo para Wellington Dias foi atribuído ao seu porta-voz na Academia, o advogado e ex-presidente Nelson Nery Costa. Nery não teve a suficiente capacidade de articulação.
Agora a coisa ficará ainda mais feia, porque chamou-se uma atenção que poucos desejavam para o caso. Polêmica. Quem ganhará? E por que ganhará? Se Wellington Dias, se fortalecerá a suspeita de que os R$ 360 mil antecipados em decreto oficial teriam finalidade bem diversa daquela que consta do documento oficial. (Toni Rodrigues)

