Governador tenta a todo custo criar agenda positivas; anúncios eleitoreiros

Diante do grande número de denúncias que pesam sobre seus ombros, neste penúltimo ano de sua 4ª administração, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), tenta, desesperadamente, criar uma agenda positiva. Ele tem sido fustigado por acusações de irregularidades e desvios de dinheiro público, que culminam com investigações sérias da Controladoria Geral da União, Ministério Público Federal e Polícia Federal.
Por conta desta situação, ele decidiu, nesta terça-feira (14/12), reunir a imprensa para anunciar três providências que deveriam ser corriqueiras, mas que o fracasso do governo tenta transformar em espetáculo, e faturar com isso visando as eleições do ano que vem. Após quase 20 anos à frente do Executivo estadual, Dias anunciou que, a partir de janeiro, vai pagar os servidores dentro do mês.
Conforme noticiamos em oportunidades anteriores, o pagamento era feito com pelo menos 12 dias de atraso, para as variadas categorias funcionais. O secretário de Fazenda, Rafael Fonteles, que pretende ser candidato a governador, exibe uma tabela e anuncia, tentando simular uma alegria que não existe. Percebe-se que seu semblante é todo desânimo e maquiagem da equipe de publicidade.
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“O governador anunciou que a partir de janeiro todos os servidores do estado receberão seus vencimentos dentro do mês”, salientou. Ora, desde que Wellington Dias assumiu o governo em janeiro de 2003, já se passaram nada menos que 216 meses. Foram 6.570 dias. E somente agora ele resolve pagar dentro do mês. Isso é caso de polícia, sem dúvida.
Mas tem mais. O governador disse na coletiva – veja quem está do lado dele, toda de cabelo pintado de loiro, a vice-governadora Regina Sousa (PT) – que o dinheiro do Fundeb deve ser aplicado ao menos 70% com pagamento de pessoal. Segundo ele, existe um saldo de R$ 62 milhões. O valor será usado como pagamento de extra para os profissionais da educação.
“Vamos cumprir a regra da educação com benefício para profissionais da ativa”, declarou, repetindo-se a todo instante, numa demonstração de puro nervosismo. Wellington Dias nunca esteve tão pressionado. Sobre o assunto, também não se trata de nenhuma vantagem. É obrigação, se o governador não cumprir, ele poderá responder por improbidade administrativa. O pagamento do rateio do Fundeb não está no querer do governador e nem ele o faz por ser bonzinho – que não o é e nem nunca foi. Ele só pensa em eleições.
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Tem ainda um aumento de 10% para todas as categorias do estado. O reajuste seria de 8% em média. Mas agora o governador decidiu que tem dinheiro sobrando. Desde quando? De onde? Enfim, não apenas o ano eleitoral, mas o desgaste tremendo na imagem dele, do governo e do partido. E o estacionamento eleitoral do seu candidato, que parou no tempo e no espaço com índices risíveis. Com essas medidas, ele tenta retirar de Fonteles o apelido de “pé de chumbo”. Tudo indica que ganhará mais um.
Toni Rodrigues

