É um fato: a violência cresce de forma assustadora no Piauí. Recentemente o OitoMeia divulgou, baseado em dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-PI), reportagem que mostrou que o índice de criminalidade de 2021 já é 11% maior ano inteiro de 2020.
E decido a esse clima de insegurança vivido pela sociedade, uma pergunta paira no ar: o efetivo policial é o suficiente para atender a demanda da população piauiense? Isto é, há realmente um número de policiais suficiente para atender a cada um dos pouco mais de 3 milhões de piauienses?
O concurso da Polícia Militar, aberto recentemente -e que foi adiado- vai resultar em um maior número de homens protegendo a sociedade? Com base nestas perguntas o OitoMeia buscou ouvir autoridades responsáveis, além de especialistas, para falar sobre o assunto que mais aflige a população: segurança pública.
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EFETIVO POLICIAL E INVESTIMENTO
O OitoMeia entrou em contato com a assessoria da Polícia Militar do Piauí, que informou que atualmente o Estado conta com quase 6 mil policiais efetivos. O concurso aberto recentemente visa preencher mais 1.040 vagas. Porém, de acordo com a lei ordinária estadual Nº 5.552, a qual dispõe acerca da fixação do efetivo da Polícia Militar, o número ideal de policiais no Estado deveria ser de quase 10 mil (9.888, para ser mais exato).
O Piauí possui um déficit claro de 32,34%. Levando esses dados em conta, seriam necessários mais 3.198 policiais para suprir a demanda da população. Além disso, o Piauí é hoje o estado que menos investe em segurança. Foi o que apontou matéria publicada pela Revista Piauí recentemente, baseado no Anuário Brasileiro de Segurança Pública. O Piauí fica inclusive abaixo da média nacional. Segundo esse anuário, o Piauí destinou R$ 785,8 milhões no ano de 2020, o que corresponde a cerca de R$ 239,47 por pessoa, já que o estado possui cerca de 3,3 milhões de habitantes.
Nenhum outro estado destinou tão pouca renda ao setor. Em média, os outros estados do Brasil investem quase o dobro do que os piauienses, R$ 463,06 por pessoa. O estado do Amapá é o que lidera o ranking, tendo gastado praticamente o quádruplo do Piauí, R$ 872,91 por pessoa.

QUAL O IDEAL?
De acordo com a Organização das Nações Unidas (ONU), o ideal para melhor atender as expectativas de segurança pública, seria de que houvesse um policial para cada 250 habitantes, o que, no Piauí não está sendo cumprido. Tendo em vista que o estado conta com um déficit de quase 3.200 policiais, e as vagas abertas em concursos ainda se mostram insuficientes.
Na cidade de Parnaíba, por exemplo, que é litoral do estado, e vem sofrendo uma onda de crime jamais vista, o ideal está longe de ser cumprido, tendo em vista que atualmente, a cidade tem um policial para cada 443 habitantes. Ou seja, é como se um agente sozinho estivesse fazendo o papel que deveria ser feito por dois policiais.

SEGURANÇA PÚBLICA: UM PROBLEMA NACIONAL
O Piauí, desta forma, não possui um efetivo policial capaz de proteger todos os habitantes e suprir suas demandas. Essa é uma das razões pelas quais a violência tem crescido e se instaurado, tanto na capital, quanto nos demais municípios do estado.
E diante desses fatores, a reportagem questionou a Polícia Militar acerca do efetivo deficitário de militares nas ruas, a assessoria informou que não possuem previsão para o cumprimento do efetivo exigido em lei. Informou ainda que atualmente a instituição busca a otimização da atuação policial através de tecnologias e maior mobilidade.
Especialista no assunto informa que o problema é nacional, não participar do Piauí. Segundo ele, a segurança pública no Brasil é insuficiente e falha. Pesquisas apontam que as taxas de soluções de crimes não ultrapassam a 20% nos estados brasileiros.
O investimento em segurança é baixo e as policias militar e civil não estão adequadamente preparadas para lidar com a demanda de crimes que só aumenta.
O Ministério Público falha em fiscalizar o trabalho da força policial, o que pode ser constatado nos números da violência.


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