A pasta tem sob seu controle reforma do centro de convenções que nunca foi concretizada

Cerca de R$ 107,798. Este foi o montante gasto pelo governo do Piauí, através da Secretaria de Turismo, com obras de calçamento. A Setur, como se sabe, tem por objetivos: implementar a política de turismo e de lazer, além de fomentar a política de desenvolvimento do setor; planejar ações, instituir e manter um sistema de divulgação turística para o estado; elaborar programas e projetos com a finalidade de promover a demanda turística; e formatar os investimentos diretos e geração de novos negócios turísticos, incentivar a qualificação da prestação de serviços turísticos.
O titular da pasta é o deputado Flávio Rodrigues Nogueira Júnior (PDT). Ele é filho do deputado federal Flávio Nogueira (mesmo partido). Ambos são velhos aliados de todos os governos. Nogueira Júnior teve sob sua responsabilidade até recentemente a conclusão das obras de reforma do Centro de Convenções, iniciadas em 2009 e até hoje não realizadas pelo estado. Para serem concluídas, tiveram que ser repassadas para uma empresa privada.
No Piauí, construir calçamento é uma ação dispersiva. Até a coordenadoria de esportes e lazer faz esse tipo de ação. Na Secretaria de Turismo, faltam ações em favor de suas verdadeiras atribuições, e sobram gastos com obras que podem ser consideradas eleitoreiras. Segundo levantamento realizado pela nossa reportagem, no ano de 2018 foram aplicados R$ 42,770 milhões. Em 2019, outros R$ 16,905 milhões. Houve, em 2020, gastos de R$ 18,046 milhões. E, neste ano de 2021, já foram gastos com calçamento, pela Setur, anda menos que R$ 30,075 milhões. Estes valores devem aumentar consideravelmente e atingir um ápice em 2022, por conta do ano eleitoral.
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COOPTAÇÃO DE PREFEITOS E LIDERANÇAS
Cumpre ressaltar que esse tipo de obra (calçamento) tem por finalidade, segundo investigações em andamento, a cooptação de prefeitos, vereadores e lideranças municipais. Tanto é que o governo opta por esse tipo de obra justamente para manter a base de apoio político. Não há qualquer investimento de monta em ações de desenvolvimento do turismo nos municípios. Basta ver a precariedade em que se encontra o setor nas mais importantes cidades turísticas do estado, a exemplo de Parnaíba, Luís Correia, Cajueiro da Praia, São Raimundo Nonato, dentre outras. Em Barra Grande, point turístico de Cajueiro da Praia, o sistema de abastecimento de água não funciona a contento e a população é abastecida com carros pipa.
Dentre as empresas destacadas, relativas ao ano de 2018, para essas obras de cunho eleitoreiro, e que não ajudam no desenvolvimento do turismo do estado do Piauí, identificamos a Poty Construtora e Empreendimentos Imobiliários Ltda, pertencente a Felipe de Santana Machado; Construtora Novo Milênio Ltda, sediada em Monsenhor Gil e pertencente aos empresários Fernando Lucas Loureiro Lima Costa e João da Cruz Costa Silva; Construtora Edificar Ltda, de Luiz de Cerqueira Marques Filho e Rafael Santos Marques; Pro Engenharia, de José Washington B. A. Neto; BS Construções; Coesa Construções; Construtora Babilônia Ltda; Construtora Realiza Ltda; VTJ Construtora Ltda, dentre outras. Nos anos seguintes, as mesmas empresas seguiram ganhando licitações e supostamente realizando as tais obras.
(Toni Rodrigues)

