Na verdade, não precisaríamos do observatório nacional de violência e criminalidade para nos dizer que vivemos num dos estados mais inseguros do Brasil. E que isso se deve ao fato de que o governo entregou a área da segurança para políticos despreparados e sem compromisso com a sociedade piauiense. Até mesmo aqueles que faziam parte da segurança se renderam aos encantos do sistema e deixaram a coisa desandar de maneira brutal. Tanto que nem mesmo o entorno direto do governador do estado tem qualquer garantia. Dois seguranças pessoas de sua excelência foram atacados por bandidos em serviço. Um deles foi morto. Outro conseguiu escapar por um triz – mas teve a arma tomada de assalto enquanto se dirigia para o plantão na residência oficial. Este, foi atacado a pouco menos de 100 metros do endereço do governador e familiares.
Segundo Anuário Brasileiro de Segurança Pública do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), o estado que proporcionalmente menos gasta com segurança é o Piauí. Em 2020 foram gastos R$ 239 por habitante. Enquanto isso, o governo do Amapá segue o caminho totalmente inverso. Aplica R$ 873 per capita. A média nacional é R$ 463. O estado do Amapá, em razão dos investimentos realizados, possui a maior quantidade proporcional de policiais militares. Conforme o Anuário, existe um policial da ativa para cada 276 amapaenses. A média nacional é de um PM para cada 521 brasileiros.
A imprensa nacional informa que o Piauí tem um policial militar para 796 habitantes, e que isso representa a segunda pior média do país. Deve-se a isso, somado a alguns outros fatores, o aumento do número de roubos violentos e homicídios no estado. Sem polícia, as gangues sobressaem. As maiores cidades piauienses estão tomadas por meliantes de alta periculosidade, que integram organizações como Comando Vermelho e PCC (Primeiro Comando da Capital). Na cidade de Teresina, capital do estado, eles marcam sua atuação por zona. Carimbam muros de residências e condomínios. Em Parnaíba, segunda maior cidade do estado, em determinadas horas da noite, os moradores só podem transitar por certas ruas e avenidas com vidros dos seus carros abaixados, por determinação dos marginais, de acordo com relato de uma jovem advogada.
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Os próprios deputados do governo entendem que já não se pode mais ficar de braços cruzados diante do avanço das facções e das ocorrências de cunho violenta. O deputado estadual, Francisco Limma (PT), quer usar um sistema de monitoramento, por meio da instalação de câmeras de segurança, para coibir o furto e roubo de motos e carros em 12 cidades do Piauí. No levantamento do parlamentar petista, os municípios que devem ser atendidos são os seguintes: Esperantina, Luzilândia, Barras, Porto, Madeiro, Nossa Senhora dos Remédios, Matias Olímpio, Campo Largo, Batalha, Joaquim Pires, Morro do Chapéu e São João do Arraial. ORa, todos sabemos quais são as cidades mais violentas do Piauí. O deputado do PT está apenas escolhendo entre as que integram sua base parlamentar. Mas esse mapeamento já existe desde 2006, conforme anúncio do próprio governador, na época, em campanha para a reeleição.
Em Porto, na região norte do estado, a cidade de pouco mais de 12 mil habitantes estaria sob domínio de criminosos organizados. Recentemente ocorreu no local uma onda de assassinatos, informou um advogado local. Ele pediu reserva do nome alegando que já não se pode mais dar bobeira, porque se tomarem conhecimento os bandidos apagam mesmo. Não respeitam nada nem ninguém. Eles sabem que contam com a leniência do governo.
Em 2020, durante a campanha para prefeituras municipais, a implementação de câmeras para coibir a criminalidade foi uma das principais pautas de debates entre candidatos. Na gestão do Prefeito Dr. Pessoa (MDB), a coordenação municipal de Segurança anunciou que usará o vídeo monitoramento em paradas de ônibus, que vem sofrendo com uma onda de vandalismo e furtos. Seria uma forma do município participar do combate ao problema. Neste caso, a expectativa será sempre melhor do que a realidade. Pessoa ainda não conseguiu dar um passo adiante no governo de Teresina. Prefeitura de Teresina e governo do estado andam totalmente juntos nesse particular. Que termina afetando uma grande parcela do distinto público.
(Toni Rodrigues)

