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Sobreviver ao antipetismo é o principal objetivo do PT, diz ex-ministro de Dilma

Em carta dirigida a Lula, Edinho Silva diz que está na hora de parar com “Lula Livre”.

“O antipetismo é, por mais redundante que possa parecer, o maior desafio do PT nesse período histórico”, aponta Edinho Silva, ex-ministro no governo Dilma e prefeito de Araraquara, interior de São Paulo, em artigo onde analisa os desafios do Partido dos Trabalhadores.

As vitórias ou derrotas de Bolsonaro dependerão também da capacidade da esquerda e dos movimentos sociais se aglutinarem na resistência à agenda de perdas dos direitos dos trabalhadores e de retrocessos democráticos, civis e civilizatórios”, diz.

O debate sobre o futuro do PT nas suas instâncias internas está mais quente do que parece para quem é de fora.

Há uma preocupação principalmente daqueles que têm mandatos que se renovarão em 2020 de que o partido opte pelo isolamento e caia num gueto que o impeça de vencer eleições majoritárias.

O prefeito de Araraquara aborda esses aspectos.

A Fórum teve acesso ao material que está circulando entre os dirigentes do partido. Sua base é uma carta que Edinho enviou a Lula. O prefeito, entre outras coisas, aponta que mesmo que o governo de Bolsonaro venha a ser um fracasso, se o partido não construir um processo de diálogo mais amplo na sociedade, o antipetismo tende a ser um limitador para que resgate eleitores do chamado “campo do lulismo”.

*”O PT é a maior experiência da esquerda na história brasileira, com raízes sociais profundas e identidade popular, portanto, é ingenuidade da direita acreditar na sua fácil extinção”.

*”É inegável a vitória da direita, que vai além da vitória eleitoral de 2018. O que se dá neste momento é a ascensão na sociedade brasileira de valores conservadores, de negação e repulsa ao ideário progressista, de inspiração nas bandeiras históricas do socialismo, do humanismo.”

*”É necessário termos capacidade de compreensão, leitura do momento que não será passageiro, e termos muita capacidade de organização da resistência política, termos uma ofensiva articulada, organizada, muito racional, sabendo que a retomada da maioria progressista na sociedade brasileira se dará, na melhor das hipóteses, no médio prazo”.

*”Esse governo, até agora sem uma caracterização clara, tem base social e apoio popular. É um governo confuso, atrapalhado, que sofre um desgaste importante, mas ainda assim, está lastreado em uma considerável sustentação social.”

*”O antipetismo se fortaleceu com a nossa derrota no tema da corrupção e se ampliou de forma avassaladora com o PT se tornando símbolo das mazelas de um sistema político/partidário caduco, que não responde à crise da democracia representativa (que merece muita análise e capacidade de inovação política)”.

*”Só o desgaste de Bolsonaro não será o suficiente para a reconexão da sociedade brasileira com o PT.”

*”A vitória de Bolsonaro na reforma da Previdência, mesmo com a inevitável perda de popularidade, poderá dar musculatura ao seu governo, e capacidade de coesão de uma parcela da elite política e econômica no seu entorno, impedindo o que hoje se desenha: um provável esvaziamento da sua força política e capacidade de iniciativa. É um erro, nesse momento, avaliarmos que a sangria do bolsonarismo é inevitável e seu governo se “arrastará durante o mandato”, ou coisa pior pode se desenhar. A Reforma da Previdência é seu teste de fogo, se for exitosa, ele se mostrará forte e com capacidade de impor todas as demais reformas de interesse do capital. Poderemos ter na presidência um líder limitado, enfraquecido, mas “escorado” por um governo forte, com muita capacidade de iniciativa.”

*”Nesse cenário a ser construído nas lutas sociais e nas articulações políticas é importante também entendermos que o “Lula Livre” se esgotou como palavra de ordem. Essa propaganda precisa ser urgentemente transformada em um robusto movimento político. Ou seja, tem que ser uma ampla construção política, tem que ser tornar uma aglutinação de setores políticos e sociais além da esquerda, muito além do PT”.

Edinho avalia ainda que se Bolsonaro conseguir aprovar a reforma da Previdência “poderá dar musculatura ao seu governo, e capacidade de coesão de uma parcela da elite política e econômica no seu entorno”. E diz, finalmente, que o PT precisa fugir do isolamento e mudar a palavra de ordem “Lula Livre”, “que se esgotou”, para tentar um movimento mais amplo.

Fonte: Portal da Forum

 

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