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Não contem pro Lula – por Fernando Fabbrini

Ao final da Segunda Guerra, os generais de Hitler, certos da derrota inevitável, poupavam o combalido ego do “führer” de novos dissabores. Temerosos, peneiravam as más notícias que chegavam ao bunker, deixando o ditador convenientemente iludido.

Na comédia “Adeus, Lênin”, uma velha senhora comunista entra em coma e não presencia a derrubada do Muro de Berlim. Ao despertar, tempos depois, a capital alemã já era outra. Com dó da mãe, seu filho esconde dela os últimos acontecimentos, fazendo-a crer que Berlim Oriental continuava como sempre: atrasada, feia e comunista.

Os discursos do ex-presidente Lula, assim que ele saiu da cadeia, fizeram-me lembrar ambas as histórias. Preso por mais de um ano, paparicado e endeusado pela militância, Luiz Inácio colecionou elementos para criar uma avaliação equivocada de si mesmo, de sua influência, de seu carisma e – o mais grave – do Brasil que seguiu em frente…

Foto Ilustração: Luiz Inácio colecionou elementos para criar uma avaliação equivocada de si mesmo

Prisão não é fácil mesmo… embora a dele fosse cheia de regalias. Certamente, todos que o visitavam enfeitavam as grades com elogios, esperanças, exortações à “resistência”, recados carinhosos – tudo perfeitamente compreensível, até por questões humanitárias. O problema é que, ao saírem, tais visitantes deixavam o ex-presidente em uma companhia desonesta: a imagem congelada de um passado recente, que incrivelmente já é mudado.

 Atordoados pelos resultados das urnas de 2016 e 2018, sobrou para os derrotados, no sonho de um retorno ao poder, manter um retrato negativo do país com fins eleitoreiros. No entanto, esqueceram-se de que os responsáveis por tal desastre eram eles mesmos.

Assim, a esquerda continuará ofegante, soprando as brasas indispensáveis ao calor costumeiro de seus discursos. Pergunta: quem ainda se inflamará com isso, além dos de sempre?

Pouco a pouco, novos ventos arejam a vida do brasileiro. Surgem boas notícias; a maioria quase sempre ignorada pela grande imprensa. Jornalista que não sou – mas apenas um cidadão que gosta de escrever –, listei alguns indicadores interessantes:

*a Caixa Econômica vai fechar o ano de 2019 com um lucro maior que o dos bancos Bradesco e Itaú;

*as alíquotas de importação de 498 bens de capital e 34 bens de informática e telecomunicações foram zeradas;

*a taxa de crédito imobiliário se aproxima do nível menor da história;

*a construção civil captou R$ 4,4 bilhões na Bolsa e prepara uma expansão marcante;

*bilhões de dólares do exterior virão para revolucionar nossa infraestrutura ferroviária; a Embraer saiu do prejuízo e lucrou R$ 26 milhões no segundo trimestre, a receita líquida cresceu 19%;

*um site especializado mostra que o Brasil registrou uma queda de 22% nas mortes violentas no primeiro semestre do ano – e continua baixando;

*o INSS passou um pente-fino em benefícios suspeitos. Cancelou 254 mil deles e poupou R$ 4,37 bilhões na brincadeira;

*fábricas de caminhões e implementos agrícolas agora só aceitam encomendas para entrega em 2021;

*vem aí uma produção recorde de grãos – previstos 245,8 milhões de toneladas, 3,9 milhões a mais em relação à safra anterior;

*estamos brilhando na produção de café, ovos e leite, este último com destaque para Minas Gerais;

*novos mercados internacionais se abrem.

*Movimentos como o MST – aqueles que estripavam vacas prenhes por motivos ideológicos – sumiram;

*o Banco do Brasil anuncia lucro líquido de R$ 4,543 bilhões no terceiro trimestre, uma alta de 33,5% em relação ao mesmo período do ano passado;

*o famigerado risco país atingiu o menor nível desde 2013;

*taxa Selic nos 5%;

*inflação controlada. Em consequência, o desemprego começa a cair; devagar, mas vai…

*Que bom, hein?


Então, não contem nada disso pro Lula. É sacanagem.
 

*Publicado originalmente em O Tempo, em 20.11.2019

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