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A Facada! A análise de Percival Puggina

É bem estranha a reação de tantos que colocaram em dúvida a veracidade do fato

                                                                  A FACADA

Sim, pessoas chegam a esse ponto. Quando, no processo político, um grupo, qualquer grupo, excita os piores sentimentos humanos, eventos gravíssimos podem acontecer no contexto da habitualidade. Habituamo-nos – habituamo-nos? – à condição de sujeitos passivos da violência, nos campos e nas cidades. Toleramos – toleramos? – as rupturas da ordem, a queima de pneus, os black blocs, os exércitos privados dos senhores Stédile e Boulos. Apoiamos – apoiamos! – greves que jogam o Brasil no acostamento. Convivemos – convivemos! – com o fato de que as piores influências sejam livremente exercidas sobre nossas crianças e nossos jovens. Habituamo-nos a cada coisa!

A Diretoria de Análise de Políticas Públicas da Fundação Getúlio Vargas (DAPP FGV), nas primeiras 18 horas após o atentado a Bolsonaro, identificou, no Twitter, 3,4 milhões de referências ao fato. Segundo o Diário do Poder, onde encontrei a informação, esse volume de menções transformou aquela tentativa de homicídio no fato mais referido desde a eleição de 2014.

Tais registros lidaram, principalmente, com os procedimentos médicos por que a vítima passou, manifestações de pesar, discurso de ódio, violência no processo democrático e a própria “veracidade do evento, que até a noite de quinta respondia pela maior parte das interações”. Na manhã de ontem, sexta feira, de acordo com a mesma matéria, a média de postagens se mantinha em 150 mil por hora.

É bem estranha a reação de tantos que colocaram em dúvida a veracidade do fato, como se uma farsa pudesse ser mais real do que a cena diante dos olhos. E foi bem visível a mudança do tom de tantos formadores de opinião que, rapidamente, substituíram a habitual ira por inusitados murmúrios de consternação.

Menos mal. Espero que o atentado funcione como uma espécie de fio terra para descarregar os maus sentimentos que vinham marcando esta campanha eleitoral. Mais razão, menos emoção! É da razão que necessitamos para nos libertarmos dos maus hábitos referidos no início deste texto.

 

Originalmente Publicado em puggina.org; 07 de setembro 2018

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