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Primos x Forasteiros: isso vem de longe!

“A síndrome​ dos Primos não é de hoje…”

 

Esse tema atualmente está sendo muito comentado entre os unionenses nas redes sociais. Mas que história é essa??

Alguns cidadãos, por amor a esta terra, e preocupada com o seu bem-estar, tomaram partido em criticar a atual administração do município, em virtude dos desmandos que já vem desde o início da gestão. Até aí tudo bem. Entretanto, por questões políticas, ou interesse partidário [não sei], algumas pessoas resolveram associar antigas gestões  a atual. O motivo se deve pelo grau de parentesco entre o atual e o antigo gestor.

É importante destacar que qualidade de gestão e administração independe do grau de parentesco entre os gestores. Assim como aqueles que não são unionenses (forasteiros), podem tranquilamente se  preocupar com ela, independente de terem nascido aqui ou não. O fato é que já se houve o seguinte comentário: “teremos um novo embate: Primos x Forasteiros”. Por que  Forasteiro? Porque algumas pessoas que encabeçam esse tipo de crítica não nasceram nesta terra.

Só que essa “cunversa” de “forasteiro” contra “primo” não é novidade.

Vamos nos remeter até o ano de 1915. Nessa época os mandatários de União (ou os “primos” da vez) eram os “Regos” – a oligarquia dos “Regos”, que já mandavam e desmandavam  na Intendência desde a emancipação política .

Em 1912 tivemos uma conturbada eleição para governador na qual Miguel Rosa fora eleito com o apoio de Antonino Freire e de grandes coronéis do interior, dentre eles o “primo” Rego Filho em União. Nessa época, um grande unionense, apesar de ser “forasteiro”, Fenelon Castello Branco (natural de Barras), também fazia parte desse grupo. Fenelon fora promotor público na cidade onde também se casou duas vezes, com filhas do coronel Mariano Fortes Castelo Branco. Até aí todo mundo na “mesma barca”, “paz e amor”.

Só que em 1915 houve uma grande reviravolta nessa conjuntura. Miguel Rosa rompeu com Antonio Freire, o que ocasionou numa“desunião” também em União.

Daí nasceu a primeira “síndrome dos primos”.

Fenelon Castello Branco, então aliado de Antonino Freire e do governador Miguel Rosa, permaneceu fiel a este último, o que consequentemente “desmanchou” sua aliança com os Regos, que permaneceram com Antonino. Isso causou um maior “bafafá”. Fenelon, aliou-se com outros opositores da “primada dos Regos” em União, entre eles Agnelo Sampaio, e resolveram atacar suas administrações. Para isso utilizaram-se da imprensa. Em 1916, coincidentemente​ no ano de novas eleições estaduais, Agnelo Sampaio fundou um jornal na cidade denominado de “O Estanhado”. O objetivo? “Descer a marreta na administração dos “primos” (leia-se Benedito Rego, Rego Filho, e seus subordinados). Através de poemas satíricos, Fenelon passou a criticar a administração de Rego Filho. O autor das sátiras eram os pseudônimos “Dr. Chaleira” e “João Elisiário”, criados por Fenelon.

Eram poemas criticando a dinastia da família que desde os tempos de império administrava a cidade. As críticas voltavam-se limpeza de ruas e dos logradouros públicos. Fenelon Castello Branco fora um grande Unionense, apesar de não ter nascido aqui. Amou esta terra até mais do que muita gente natural daqui.

Dá mesma forma, devemos muito a “dinastia” dos Regos. Sem ela, União poderia ser muito diferente. O município até meados de 1945 ganhou moldes do que é hoje. Ganhou estradas, luz elétrica, telégrafo, infraestrutura, logradouros públicos, entre outras coisas. Todas foram adquiridas durante a administração dos “primos” Rego/Monteiro.

O moral da história. Tem “forasteiro” bom e ruim. Tem “primo” bom e “primo” ruim. Portanto, administrar um município independente disso.

Esses rótulos não contribuem para quem almeja um cargo público. Devemos sim lutar e cobrar dos nossos gestores transparência na coisa pública. Agora coloquemos o nome aos bois. Chega de “primos” e de “forasteiros”!

“1916-2018….viva o centenário dos Primos!!”

 

 

frei Cegonha

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