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French actress Juliette Binoche attends a news conference to promote the film 'Nobody Wants the Night,' in competition at the 65th Berlinale International Film Festival in Berlin February 5, 2015. The festival runs from February 5 until 15 in the German capital. REUTERS/Hannibal Hanschke (GERMANY - Tags: ENTERTAINMENT HEADSHOT)

Juliette Binoche reivindica o papel da mulher no cinema

A atriz francesa Juliette Binoche recebeu em Madri, o prêmio Women in Action, em reconhecimento a seu trabalho em defesa da igualdade de gênero no setor audiovisual. Logo de início ela afirmou que “este prêmio não vai contra os homens”. “É preciso afirmar isto, é importante”, enfatizou a atriz ao conversar com a Agência EFE. Porque para ela esta luta não significa um “feminismo feroz”, mas é sua maneira de explicar às pessoas que existe “necessidade de demonstrar e introduzir o feminino neste mundo”.

“A mãe natureza nos ensina que não podemos continuar destruindo e conquistando o planeta sem que haja consequências”, disse ela.

Com este discurso feminino, que não é feminista, a atriz foi a primeira a receber o prêmio concedido pela Associação de mulheres cineastas e do meio audiovisual e a Fundação Telefónica.

O júri de Women in Action decidiu conceder o prêmio a Juliette Binoche por sua consciência de que “a igualdade de gênero deve ser a regra e não a exceção”, e sua contribuição para a mudança ao criar a produtora We Do It Together, que conta também com a colaboração da atriz espanhola Penélope Cruz.

Uma iniciativa que foi lançada junto com outras mulheres e homens para fomentar projetos de cinema e TV “que confiram mais poder às mulheres”, pois Juliette é uma atriz e produtora convencida de que no mundo “tem reinado a energia masculina e deixamos de lado o feminino”.

Uma situação com a qual o cinema tem muito a ver. “O mundo do cinema é importante porque ele entra na casa das pessoas, em sua consciência, em sua memória. Acho que os filmes deveriam entrar nesse mundo feminino para que o mundo mude, para que não seja o final da nossa história”, afirmou ela.

E o que significa o feminino no mundo do cinema? Segundo Juliette Binoche, é “entrar em zonas que assustam, uma zona oculta na sombra”. E o feminino significa emoções que não vivemos, que não ensinamos”, disse, acrescentando que a mulher “pode dar” ao cinema “uma outra maneira de perceber as coisas”.

Mas, como enfatizou, tem sido testemunha de como “alguns diretores” afirmam que as mulheres “não têm o poder dos homens”, e “não sabem dirigir”.

“Vejam na História quantas diretoras ou cientistas existem! Não podemos nos esquecer que a educação desempenhou um papel muito importante e precisamos ter paciência”, afirmou.

Neste sentido, se o “masculino não olhar para o feminino”, nada poderá ser mudado e continuaremos vivendo em “um mundo animal, da conquista, do poder, da possessão e do ‘sempre eu tenho razão’”.

É um movimento necessário para que ocorra uma transformação em todos os setores, inclusive no audiovisual.

“Homens e mulheres estão mais próximos do que pensam, mas é claro que existem discriminações, diferenças que não podem ser aceitas, como de salários, ou privilégios que os homens desfrutam. Mas devemos saber também que existem diferenças e que, como mulheres, não podemos pedir o mesmo que os homens porque temos um outro modo de viver as coisas”, acrescentou.

Juliette Binoche admitiu que precisa de mais ajuda por parte das mulheres porque, em alguns casos, “elas têm uma maneira de pensar muito masculina”.

“A evolução será individual, mas não significa que cada um haja do seu lado. É a mãe que educa o filho, mas com ideias arcaicas que dizem que o masculino é o lado forte e o feminino o fraco. Precisaremos de tempo para mudar isto, mas é possível”.

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