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Pesquise destaca agrotóxico em leite materno

A contaminação atinge tanto as grandes plantações de soja e cana quanto as pequenas culturas de pimentão, tomate e alface

Contaminação por agrotóxicos divide especialistas em audiência pública na Comissão de Meio Ambiente da Câmara. A audiência desta terça-feira debateu a pesquisa da Universidade Federal de Mato Grosso que constatou a presença de resíduos de agrotóxicos no leite materno. Médico e coordenador do estudo, Wanderley Pignati confirmou a contaminação de um alimento natural que deveria ser plenamente puro.

"Não existe legislação, nacional nem internacional, dizendo o quanto de agrotóxico é permitido no leite materno. Não é para ter nada. Nós analisamos 10 tipos de agrotóxico: um deles, o DDE, estava presente em 100% das amostras; o Endosulfan, estava em 76% das amostras; e o Deltametrina, em 34% das amostras. Então, isso é bastante preocupante."

O DDE é um derivado do inseticida DDT, que teve o uso agrícola proibido em 1985. O Endosulfan, que resiste por até seis anos no meio ambiente, tem prazo para sair do mercado até julho de 2013, por determinação da Anvisa. Câncer, aborto e danos cardiorrespiratórios estão entre os males que esses produtos causam à saúde humana. Segundo Pignati, só o Mato Grosso usa, em média, 113 milhões de litros de agrotóxico por ano. No Brasil inteiro, ele acredita que esse volume chegue perto de um bilhão de litros, contaminando a população em geral por meio da alimentação, ar e água.

"Uma pesquisa que a gente tem feito junto com a Fiocruz, já há quatro anos, monitora resíduos de agrotóxicos em poços artesianos, no ar e na chuva. Porque uma parte desses agrotóxicos evapora, condensa e desce na chuva. A gente colocou coletor de chuva em pátio de colégios, tanto na zona urbana quanto na zona rural, e está lá a presença de vários tipos de agrotóxicos na chuva. Não é chuva ácida. É chuva que contém resíduos de agrotóxicos, para se ver o tamanho da contaminação que está acontecendo no Brasil."

A contaminação atinge tanto as grandes plantações de soja e cana quanto as pequenas culturas de pimentão, tomate e alface. Para reverter esse quadro, Pignati sugere a adoção de modelos alternativos de produção, como o orgânico ou o agroecológico. Já a Associação Nacional de Defesa Vegetal levou outros cientistas à audiência para afirmar que a pesquisa da Universidade é baseada em dados e métodos imprecisos, que mostram resultados "inconclusivos e não confiáveis". O gerente de regulamentação da Andef, Guilherme Guimarães, garantiu que o protocolo de uso de agrotóxicos no Brasil segue padrões internacionais.

"Primeiro, o Brasil usa porque é necessário: nós temos talvez a maior área agricultável tropical do mundo. Para você ter uma ideia, se a ferrugem da soja vier em uma cultura, pode destruir 100%, se não for controlada a tempo. Em média, 40% a 45% das colheitas não são perdidas pelo uso de agrotóxico. Todos esses produtos são aprovados pela Anvisa ou pelo Ibama. Então, se estiver dentro do uso correto, nós não vemos nenhum problema para a saúde ou para o meio ambiente."

Catorze agrotóxicos comercializados no Brasil passam por reavaliação da Anvisa desde 2008. A análise é lenta porque enfrenta ações judiciais dos fabricantes e a agência só conta com 21 funcionários neste setor. Treze desses produtos já foram proibidos nos Estados Unidos.

De Brasília, José Carlos Oliveira/Rádio Câmara

 

Fonte: Portal de União
Data publicação: 04/07/12, 11h32

 

 

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